Economia faz ''pouso suave'', diz Dilma

Presidente diz que política com foco de curto prazo no combate à inflação seria 'o pior dos mundos' porque é preciso preservar o crescimento

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2011 | 00h00

A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que a economia brasileira está fazendo um "pouso suave" e não aceita a dicotomia entre controle de inflação e crescimento. Em conversa com cinco jornalistas, no terceiro andar do Palácio do Planalto, Dilma foi taxativa: disse que uma política com foco de curto prazo, nessa seara, seria "o pior dos mundos", pois teria efeito danoso sobre a economia.

"Não queremos inflação sob controle com crescimento zero", insistiu a presidente, quando questionada se trabalharia para levar a inflação a 4,5%, em 2012, a qualquer preço. "Estamos fazendo o chamado pouso suave, com uma taxa de crescimento adequada para o País. Não vamos derrubar o crescimento da economia a ponto de não termos o mecanismo da estabilização." A ideia de controlar os preços e manter a economia crescendo já havia sido defendida pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Em entrevista ao Estado, no mês passado, o economista foi enfático ao dizer que é possível percorrer esse caminho. "Isso tem acontecido e acontecerá", disse Tombini, num claro sinal de sintonia com o Palácio do Planalto.

Com uma ponta de preocupação em relação ao cenário internacional, Dilma afirmou que o BC "está correto" ao usar a política de taxa de juros para domar a inflação. Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic para 12,5%, a quinta alta consecutiva da taxa básica de juros este ano.

De forma gradual, o BC já aumentou a Selic em 1,75 ponto porcentual desde janeiro e indicou na quarta-feira que o ciclo de aperto dos juros pode estar chegando ao fim. Apesar disso, o BC tem tido dificuldade de convencer o mercado financeiro que vai conseguir levar a inflação para 4,5% em 2012. Até o momento, as apostas dos economistas indicam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2012 acima de 5%.

Descontraída, Dilma observou que monitora diariamente todos os percalços no front internacional e admitiu a possibilidade de tomar "medidas duras", caso necessário. "Chova ou faça sol, estamos olhando os efeitos da crise na Europa e a questão do teto da dívida pública (dos EUA) sobre nossa economia, porque isso é da nossa responsabilidade", comentou. "Quando percebermos qualquer ameaça, tomaremos medidas duras."

Os jornalistas quiseram saber quais medidas poderiam ser tomadas, e ela abriu um sorriso. "Vocês acham que vou dizer?" Dilma destacou que o governo continuará o processo de "consolidação fiscal" - eufemismo para se referir ao ajuste das contas - e disse que, por isso mesmo, a inflação está sob controle. Lembrou que em cinco meses de governo, de janeiro a maio, o governo central (Tesouro, BC e Previdência) já cumpriu mais da metade da meta de superávit primário para o ano todo. A meta é de R$ 81,7 bilhões e já foi atingido o nível de R$ 45,5 bilhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.