Economia fraca derruba turismo de negócios no País

Com o enfraquecimento da economia, as viagens corporativas estão no topo da lista de cortes das empresas brasileiras. Hotéis, agentes de viagens e o setor de eventos sentiram fortemente os efeitos da crise nesse primeiro semestre.

Mário Braga, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2015 | 02h03

O presidente do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), Manuel Gama, ressalta que o turismo de negócios responde por cerca de 60% a 70% do faturamento do setor no País. "Tem mais turista de negócios em São Paulo que de lazer no Rio de Janeiro", comparou. Gama revela que a taxa de ocupação entre as associadas do FOHB caiu 5,9% no primeiro semestre de 2015 na comparação com 2014.

Bruno Omori, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, avalia que a crise econômica esfriou a demanda e derrubou a taxa de ocupação no País. "Em alguns destinos de turismo de negócios e eventos, como Belo Horizonte e Curitiba, houve quedas superiores a 20% na ocupação no primeiro semestre, com base na média dos últimos cinco anos", disse.

Além disso, a despeito da inflação em alta, o valor médio da diária dos hotéis brasileiros caiu 3,9% em termos nominais. Para Gama, da FOHB, a maioria dos empreendimentos não está conseguindo reduzir os custos no mesmo ritmo de queda da receita. "Todos apertam o cinto, trabalham mais, mas não conseguem repassar os custos e, no final, têm menos lucro", disse.

Um levantamento da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) revela que, no primeiro semestre do ano, o faturamento das 30 maiores agências do segmento com a venda de pacotes nacionais de hospedagem caiu 3,6%, ao passo que o número de diárias contratadas teve redução de 2,7%.

"Nos seis primeiros meses de 2015, o índice que mede o desempenho do setor no Brasil caiu 9,6% em relação a 2014 e está também 1,2% inferior ao de 2013", destacou Gama, em referência ao Revpar, indicador que mede a receita por apartamento disponível dos hotéis e é usado como referência da rentabilidade dos negócios.

Além dos hotéis, a contração das viagens corporativas afeta feiras e eventos de negócios pelo País. A presidente da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc), Ana Cláudia Bittencourt, revela que o setor vinha se preparando para enfrentar um ano difícil, mas a magnitude da desaceleração da economia foi ainda mais forte. Ela estima que o valor dos grandes contratos com órgãos públicos e autarquias já caiu pela metade. "São milhões de reais a menos em eventos para o Sebrae, Sesc e Senai", disse. Em 2013 (dado mais recente), foram organizados 590 mil eventos no País.

A crise fica evidente ao se observar os tamanhos das feiras. "Muitos expositores optaram por diminuir o tamanho dos estandes e alguns não participaram", diz Armando Mello, presidente executivo da União Brasileira dos Promotores de Feiras.

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