Economia fraca deve voltar a afastar IED do Brasil em 2015

Depois de recuar 2% em 2014, o investimento estrangeiro no País deve ter nova queda neste ano, prevê a Cepal

ÁLVARO CAMPOS, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2015 | 16h03

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil, que caiu 2% em 2014, para US$ 62,495 bilhões, deve recuar novamente este ano em razão da fraca atividade econômica, prevê a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), em relatório divulgado nesta quarta-feira, 27.

"Provavelmente a queda do IED na América Latina e no Caribe continuará em 2015. Estima-se que o crescimento econômico regional se situe em torno de 1%, o que continuará freando os investimentos para abastecer o mercado interno. Isso afetará especialmente as entradas de IED no Brasil", diz o texto. Na região como um todo, o IED despencou 16% no ano passado, para US$ 158,803 bilhões. Ou seja, a participação do Brasil na área da Cepal é de 38%.

Mesmo assim, a Cepal afirma que a queda leve do IED no Brasil, em meio a um cenário de forte desaceleração da economia, reflete "a confiança de longo prazo dos investidores estrangeiros".

Os Países Baixos são a principal fonte de IED no Brasil, com 29% do total. Muitas vezes o país, assim como Luxemburgo, é usado como intermediário para investimentos de outras regiões. A Europa como um todo representa 56%, seguida pelos Estados Unidos (13%), pela América Latina e Caribe (4%), Japão (4%), Canadá (2%) e outros (2%). Os recursos com origem não definida somam 18%. China investiu 1,8% do total.

O relatório aponta que a queda dos preços de metais e petróleo reduziu o fluxo de IED para o setor de recursos naturais. Em 2014, ele representou 11% do total, com cerca de 36% para o setor manufatureiro e de 53% para serviços.

Na avaliação por segmentos, dentro do setor manufatureiro a Cepal afirma que a indústria automotiva recebeu investimentos recordes nos últimos dois anos, sendo US$ 4,221 bilhões em 2014. Petróleo e bicombustíveis, US$ 17,278 bilhões; siderurgia, US$ 4,692 bilhões, e produtos químicos, outros US$ 3,916 bilhões. No setor de serviços, varejo recebeu IED de US$ 6,943 bilhões, seguido de telecomunicações (US$ 4,167 bilhões) e serviços financeiros (US$ 3,170 bilhões).

A Cepal explica que, devido à revisão na metodologia pelo Banco Central do Brasil, está divulgando dois níveis de IED. O primeiro, apresentado acima, considera a metodologia antiga, que é comparável com anos anteriores e dados de outros países. Utilizando a metodologia nova, o IED em 2014 foi de US$ 96,851 bilhões.

Do outro lado, o IED com origem do Brasil para outros países foi deficitário em US$ 3,540 bilhões em 2014, no quarto ano seguido de resultados negativos. Segundo a Cepal, isso se deve "aos grandes empréstimos entre companhias relacionadas que tentam eludir o alto custo do capital no País". Isso não quer dizer que as empresas brasileiras não invistam em outros países. No ano passado esses investimentos somaram US$ 19,556 bilhões, o maior nível desde 2011. Mas, ao mesmo tempo, receberam US$ 23,096 bilhões em empréstimos líquidos de filiais no exterior, o que gera o saldo negativo.

Utilizando a nova metodologia do BC, o IED do Brasil no exterior seria positivo em US$ 25,73 bilhões, graças a uma mudança na forma de contabilizar os empréstimos entre empresas.

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