Economia global enfrenta momento sério, diz Meirelles

Presidente do Banco Central ressalta, porém, que o Brasil está bem posicionado para enfrentar a crise

Reuters e Agência Estado,

19 de janeiro de 2009 | 11h39

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira, 19, que a economia global enfrenta um momento "sério" e "grave", mas o Brasil está bem posicionado para enfrentar a situação. "O governo brasileiro está preparado para tomar todas as medidas necessárias para que enfrentemos essa crise da melhor maneira possível", afirmou.   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    Meirelles comemorou em cerimônia realizada nesta manhã o aniversário de 10 anos da adoção do regime de câmbio flutuante do Brasil. Segundo ele, mesmo com a flutuação das taxas no período recente, o dólar é negociado atualmente em patamar muito próximo da média registrada nesse período. Ele afirmou que a cotação média nos 10 anos de flutuação cambial é de R$ 2,34, sendo que o piso é de R$ 1,32 e o teto é de R$ 3,96.   Ao defender o regime de câmbio flutuante, Meirelles disse que a média do déficit em conta corrente do Brasil nos últimos dez anos tem girado em torno de 1% do PIB, inferior à média de 2,1% do PIB observada desde os anos 70. Ao mesmo tempo, ele destacou que o ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) ficou em torno de 3% na última década. Se o corte for feito desde os anos 70, a média do ingresso de IED fica em 1,5%.   Ele também destacou que, há 10 anos, quando o câmbio flutuante foi adotado, o Brasil possuía rating B+ da agência S&P. Hoje, o Brasil é grau de investimento com BBB-. "Hoje, nossa economia é sólida e o Brasil tem um acordo de troca de moedas com o Federal Reserve. Isso mostra que o Brasil teve avanço reconhecido por instituições importantes", afirmou.   Meirelles rebateu as críticas de que a adoção do atual regime represente a saída completa do BC do mercado cambial. Ele lembrou da forte atuação na ponta compradora exercida pela autoridade monetária, principalmente em 2007, quando o Brasil recebeu expressivo ingresso de recursos estrangeiros. Com isso, lembrou Meirelles, o País conseguiu reforçar as reservas internacionais. Ao mesmo tempo, ele lembrou das recentes iniciativas para tentar amenizar os efeitos da crise mundial sobre a economia do País, como a oferta de dólares para o financiamento às exportações e os leilões para a rolagem de dívida de empresas no exterior.   Durante a cerimônia, Meirelles enalteceu o avanço dos indicadores econômicos do Brasil na última década e afirmou que a adoção do regime de câmbio flutuante, somado ao sistema de metas de inflação e a adoção da meta do superávit primário permitiram a melhoria dos fundamentos da economia brasileira. "O Brasil tem tido um sucesso inquestionável no regime", afirmou.   Inflação   Na véspera da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2009, o presidente do Banco Central lembrou em cerimônia que a instituição tem tido êxito na condução da política monetária ao cumprir a meta de inflação a despeito das pressões inflacionárias e da forte atividade econômica registrada até o terceiro trimestre do ano passado.   "De fato, no ano passado quando as pressões inflacionárias globais foram substanciais, pelo menos até o terceiro trimestre, o Banco Central do Brasil foi uma das poucas autoridades monetárias entre as aquelas que seguem formalmente o regime na construção da política monetária a cumprir a sua meta de inflação", disse em discurso na cerimônia de comemoração da primeira década do regime de câmbio flutuante no Brasil.   Meirelles não citou, mas a autoridade monetária subiu o juro de abril a setembro do ano passado para manter a inflação dentro da meta. Em 2008, o IPCA ficou em 5,90%, acima do centro da meta de 4,50%, mas inferior ao teto de 6,50%.   O presidente da autoridade monetária lembrou que o início do regime de metas de inflação foi "desafiador" e que o BC não conseguiu cumprir a meta entre 2001 e 2003. "Depois, o BC foi bem sucedido em cumprir o limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional, hoje em 4,50% com margem de dois pontos para mais ou para menos. Cumprimos por cinco anos consecutivos, desde 2004", ressaltou.

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