Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Economia mantém previsão de alta do PIB em 2,5% em 2022 enquanto mercado já reduziu para menos de 1%

Ministério, no entanto, revisou para cima a estimativa de inflação no fim deste ano, de 5,90% para 7,90%, bem acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 5,25%

Eduardo Rodrigues , O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2021 | 10h03
Atualizado 16 de setembro de 2021 | 20h06

BRASÍLIA - Apesar de analistas do mercado financeiro terem reduzido suas projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 para menos de 1%, o Ministério da Economia divulgou nesta quinta-feira, 16, que revisou apenas marginalmente sua estimativa, de 2,51% para 2,50%.

Para este ano, o órgão segue esperando uma alta de 5,30% no PIB. As previsões constam na grade de parâmetros da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgada nesta quinta-feira, 16. 

De acordo com a SPE, apesar do recuo de 0,1% do PIB no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano, o crescimento interanual de 12,4% indicaria recuperação em relação ao vale da crise de 2020. ”O destaque do PIB pelo lado da oferta foi o desempenho dos serviços, com alta de 0,7% ante o trimestre anterior, com ajuste sazonal”, acrescentou a Economia.

O ministério manteve ainda as projeções de crescimento da economia de 2023, 2024 e 2025 - todas em 2,50%. “Esperam-se efeitos positivos das reformas pró-mercado e do processo de consolidação fiscal”, completou a SPE.

No último relatório Focus, os analistas de mercado consultados pelo Banco Central estimaram uma alta de 5,04% para o PIB de 2021. Para 2022, a estimativa no Focus é de crescimento de 1,72%, mas diversos analistas já passaram a projetar uma expansão de menos de 1% no próximo ano após o presidente do BC, Roberto Campos Neto, ter dito nesta semana que a instituição aumentará os juros até onde for necessário para conter a inflação.

Preços em alta

O Ministério da Economia revisou para cima sua projeção para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021. A estimativa para a alta de preços neste ano passou de 5,90% para 7,90%. Para 2022, a projeção passou de 3,50% para 3,75%. De acordo com a SPE, a partir de 2023, a projeção converge para a meta: 3,25% em 2023 e 3,0% de 2024 em diante.

No último relatório Focus, os analistas de mercado consultados pelo Banco Central estimaram que o IPCA deve acumular alta de 8,00% em 2021 e de 4,03%em 2022.

Todas as projeções para a inflação em 2021 estão bem acima do centro da meta deste ano, de 3,75%, que tem uma margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,25% a 5,25%). No caso de 2022, a meta é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (2,00% a 5,00%).

Salário mínimo pode subir para R$ 1.192,40

A Economia também atualizou a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) - utilizado para a correção do salário mínimo. De acordo com a nova grade de parâmetros macroeconômicos da pasta, a estimativa para a alta do indicador neste ano passou de 6,20% para 8,40%. Para 2022, a projeção passou de 3,42% para 3,80%.

Se essa projeção se confirmar e não houver mudança no cálculo, o reajuste do salário mínimo em 2022 também será maior que o estimado anteriormente. Hoje, o salário mínimo está em R$ 1.100. Com a nova previsão para o INPC no acumulado de 2021, o valor subiria para R$ 1.192,40 no ano que vem, acima da última proposta oficial do governo para o salário mínimo em 2022, divulgada em agosto, de R$ 1.169.

Na proposta de orçamento de 2022 enviada pelo governo ao Congresso, está prevista a correção do salário mínimo apenas pela inflação, com base na estimativa do INPC, mas com um porcentual menor, de 6,2%. De acordo com parâmetros do próprio governo, essa diferença nas estimativas resultará num gasto adicional de R$ 17,4 bilhões para o Orçamento de 2022, que precisará ser compensado com o corte de outras despesas (já que os benefícios atrelados ao mínimo são obrigatórios). 

 "Com o aumento do INPC as despesas obrigatórias (Previdência e beneficios sociais) irão aumentar e naturalmente vamos reduzir as discricionárias (como investimentos e custeio da máquina). O gasto total vai respeitar o teto de gastos”, disse o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida. “A máquina pública não irá parar mesmo com essa alta do INPC”, acrescentou. 

A situação vai se complicar porque o governo pretende tirar do papel uma reformulação do programa Bolsa Família -- batizado de Auxílio Brasil -- com benefício médio de R$ 300 para um maior número de pessoas, mas essa versão turbinada não foi prevista no Orçamento porque já não tinha espaço no teto de gastos, a regra que atrela o crescimento das despesas à inflação. O Orçamento previsto do Bolsa em 2022 é de R$ 34,7 bilhões. A versão ampliada exigiria R$ 60 bilhões.

Teto da aposentadoria 

O INPC também é usado para corrigir os benefícios do INSS (aposentadorias e pensões) acima de um salário mínimo. Se a projeção do índice se confirmar, o teto passará dos atuais R$ 6.433,57 para 6.973,99. Pela lei, aposentadorias, auxílio-doença, auxílio-reclusão e pensão por morte pagas pelo INSS não podem ser inferiores a um salário mínimo.

 

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