Estadão
Estadão

Economia brasileira encolhe 0,8% no 3º trimestre do ano e dificulta recuperação em 2017

Recuo de julho a setembro foi generalizado na agricultura, indústria e serviços, mostra o IBGE; investimentos voltam a afundar depois de leve reação no trimestre anterior

O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2016 | 09h04

O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,8% no terceiro trimestre, acentuando a queda de 0,4% observada no 2º trimestre deste ano, ambos na comparação trimestral, divulgou nesta quarta-feira, 30, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o sétimo resultado negativo consecutivo nesta base de análise e também a baixa mais acentuada do ano.

A queda foi generalizada entre os três setores da economia, com recuos na agropecuária (-1,4%), indústria (-1,3%) e serviços (-0,6%). O resultado do PIB veio dentro do esperado pelo mercado financeiro.

O PIB no acumulado do ano até o terceiro trimestre de 2016 recuou 4,0% em relação a igual período de 2015. É a maior queda acumulada para o período desde o início da série histórica, em 1996. Em meio à persistência do quadro recessivo, o mercado financeiro já projeta que a volta ao crescimento em 2017 deve ser difícil, com avanço menor do que 1% do PIB.

O consumo das famílias continua desaquecido e caiu 0,6% na comparação trimestral e 3,4% ante um ano antes. Ainda assim, há uma evolução para quedas menores na análise anual. No segundo trimestre, o consumo das famílias havia caído 4,8% e, no primeiro, recuou 5,8%. "Ele continua caindo, mas a taxa tem uma tendência de melhorar um pouco", disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. 

Segundo a pesquisadora, o arrefecimento da queda no consumo das famílias está relacionado com a desaceleração da inflação e com o mercado de trabalho, cujos dados do terceiro trimestre mostraram também um arrefecimento na queda da renda. 

"A desocupação aumentou, mas a renda de quem está empregado não está caindo tanto", completou Rebeca.

Na comparação entre o terceiro trimestre deste ano e igual período do ano passado, houve deterioração de emprego e renda e piora no mercado de crédito. "As operações de crédito, que estavam crescendo muito, estão com crescimento nominal bem baixo. Se a gente deflacionar, vai dar número negativo", disse Rebeca. Segundo o IBGE, a Selic média do terceiro trimestre de 2015 foi de 14,0%, contra 14,3% no terceiro trimestre deste ano. 

Investimento. O investimento, uma medida para estimar o potencial de crescimento futuro da economia, caiu 3,1%, depois de leve reação de 0,5% no trimestre anterior, influenciado pela diminuição das importações de bens de capital, afetada pela fraca economia doméstica, explicou Rebeca.

"É por causa da economia mesmo. A gente teve também no terceiro trimestre um aumento nos juros reais. Como os bens de capital têm bastante financiamento, são afetados pelo aumento dos juros reais", disse Rebeca, lembrando que o Comitê de Política Monetária (Copom), só voltou a reduzir a taxa básica de juros em outubro, já no quarto trimestre. 

 

Setor externo. As exportações contabilizadas no PIB diminuíram 2,8% no terceiro trimestre. Na comparação com o terceiro trimestre de 2015, as exportações mostraram alta de 0,2%.

As importações contabilizadas no PIB, por sua vez, recuaram 3,1% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre deste ano. Já na comparação com o terceiro trimestre de 2015, as importações caíram 6,8%.

A contabilidade das exportações e importações no PIB é diferente da realizada para a elaboração da balança comercial. No PIB, entram bens e serviços, e as variações porcentuais divulgadas dizem respeito ao volume. Já na balança comercial, entram somente bens, e o registro é feito em valores, com grande influência dos preços.

(Daniela Amorim, Mariana Durão, Vinicius Neder)

Mais conteúdo sobre:
Pib

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.