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Economia mundial crescerá até 3% neste ano, diz IMD

A economia mundial crescerá a uma taxa de 2,9% a 3% neste ano, disse em entrevista exclusiva ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o ex-diretor de Relações Exteriores do Banco Mundial na Europa e atual professor de Política Econômica Internacional do IMD (International Institute for Management Development), de Lausanne, Suíça. Carlos Braga. De acordo com ele, do ponto de vista da tendência de longo prazo, o ritmo não é ruim. "Mas a verdade é que se você pegar uma instituição como o FMI, em termos de projeções para a economia mundial, e perguntar quanto o organismo esperava que a economia mundial fosse crescer em 2013 em meados de 2012, a expectativa era de um crescimento de 4%", disse.

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Agencia Estado

26 de novembro de 2013 | 10h25

O porquê dessa fraqueza, de acordo com Braga, se deve em parte à crise que continua na Europa. "Se olharmos ao redor do mundo, na Europa há vários países que só agora estão saindo da recessão. Mas de uma maneira geral a zona do euro vai fechar com crescimento negativo neste ano, por volta de 0,4%", previu o professor do IMD. Para ele, esse número é uma média, já que países como a Alemanha e os nórdicos fecharão o ano com crescimento positivo.

Para Braga, não é um desastre a economia mundial crescer 2,9%, num ambiente em que as economias emergentes têm expansão de quase 5%. "Nestes 5%, naturalmente a China continua a ter um peso muito grande. Desacelerou um pouco, mas ainda mantém um crescimento muito robusto", lembrou. E o desempenho do grupo não será melhor porque houve desaceleração em países emergentes como a Índia, por exemplo, que vai entregar neste ano um crescimento de 4%. Na metade do ano passado, a previsão do FMI era de uma expansão do PIB indiano da ordem de 6,6%.

O recuo, segundo Braga, se deve a uma série de problemas similares aos do Brasil. "A Índia possui uma burocracia altamente complexa. O marco regulatório da Índia, como o do Brasil, é muito complicado. Basta olhar o número de anúncios de investimentos feitos na Índia e comparar com o que realmente é implementado. A diferença é de quase 50%", informou Braga, acrescentando que isso acontece porque as empresas anunciam mas não conseguem executar os investimentos.

A Rússia, em 2012, de acordo com a previsão feita em julho do ano passado pelo FMI, deveria crescer na ordem de 3,9% em 2013. Na prática, de acordo com o economista, o PIB russo crescerá 1,5% neste ano. "É outro país grande dentro dos Brics em que o crescimento caiu. Agora, o maior problema são os Estados Unidos, que tiveram um austeridade fiscal muito mais elevada do que seria o ideal para a situação da economia americana", disse Braga.

Segundo ele, como não houve acordo entre republicanos e democratas no Congresso em torno da elevação do teto da dívida dos EUA, chegou-se ao ponto de se paralisar de setores da economia. "Era para o PIB americano crescer 2,2% neste ano e está crescendo por volta de 1,6%. E como é ainda a maior economia do mundo, o resultado acaba afetando a média de crescimento mundial", observou.

O Brasil, de acordo com ele, melhorou e pode-se argumentar que as contas fiscais não estão ruins. Na opinião dele, o governo poderia até gastar um pouco mais. "A questão é a qualidade dos gastos. Nos EUA é diferente. O que acontece é que o Congresso encontra-se no momento mais polarizado da história. Teríamos de retornar à guerra civil, no século 19, para encontrar um momento de polarização tão grande como o atual", comparou Braga.

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