Economia mundial está em processo de reequilíbrio, diz OCDE

Apesar da recente volatilidade que atingiu os mercados financeiros, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) manteve uma avaliação positiva para a perspectiva econômica mundial. O economista-chefe da OCDE, Jean-Philipp Cotis, afirmou nesta terça-feira, 13, em entrevista à imprensa, que a economia mundial está em um processo de reequilíbrio."A expansão nos Estados Unidos entrou em uma marcha mais lenta, enquanto a robustez da recuperação na Europa foi confirmada", disse Cotis. "Enquanto isso, o crescimento da Ásia está se mantendo muito bem", completou.A OCDE é uma organização internacional de países desenvolvidos e industrializados. Com 30 Estados membros, a sede da organização fica em Paris. O Brasil não integra a organização.O economista-chefe da OCDE observou que os preços do petróleo continuam voláteis, mas são hoje muito inferiores aos registrados há seis meses, contribuindo para aliviar as pressões inflacionárias. "Se os preços das ações têm sido voláteis nas últimas semanas, a exemplo do que aconteceu por volta de maio do ano passado, de certa maneira isto pode refletir numa medida de normalização da precificação do risco", disse Cotis. "No geral, as condições financeiras ainda são favoráveis", explicou.EUAA OCDE reafirmou sua previsão de que a economia dos Estados Unidos iniciou um processo de "pouso suave". Cotis explicou que o impacto negativo da queda do setor imobiliário americano está sendo compensado pelo aumento das exportações e do consumo doméstico, e afirmou: "trabalhamos com cenário de pouco suave e reequilíbrio econômico dos Estados Unidos". "É claro que há riscos, mas a maior probabilidade neste momento não aponta para uma recessão".O economista da OCDE disse ainda que "a inflação nos Estados Unidos continua acima da zona de conforto do Federal Reserve (o Banco Central do país)", mas ele afirmou que o desaquecimento econômico americano poderá ter impacto de queda na inflação, afastando a possibilidade de uma nova alta nos juros. "Vamos ver o que vai acontecer nos próximos meses", disse. Cotis, no entanto, salientou que "o espaço para uma queda de juros nos Estados Unidos em 2007 é reduzida".JapãoEm relação ao Japão, o economista da OCDE disse que o crescimento econômico é desequilibrado, pois baseia-se somente nas exportações, enquanto o consumo interno é fraco. Segundo o economista, o risco de deflação no Japão ainda é grande. "As autoridades japonesas devem manter os juros no menor nível possível para estimular o consumo doméstico".Ele observou que isso pode estimular um excesso de operações de especulação no mercado internacional financiado pelo iene japonês, "mas o fator mais importante é a economia japonesa obter um crescimento saudável e afastar o risco deflacionário", explicou.ChinaCotis não vê risco de um superaquecimento da economia chinesa. "Uma economia com inflação baixa, crescimento muito forte, mas potencial de crescimento enorme e superávit em conta corrente, não sinaliza o superaquecimento econômico".Segundo ele, o maior risco na China fica por conta de um investimento excessivo em setores específicos da economia, o que poderia causar um desequilíbrio econômico.

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