Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Economia mundial segue em recuperação, mas ainda há incertezas, mostram indicadores da FGV

Barômetros calculados em parceria com instituto suíço avançaram pelo quarto mês seguido em setembro e até indicam retomada em 'V', mas que não é consistente entre todos os setores da economia

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2020 | 09h00
Atualizado 10 de setembro de 2020 | 16h37

RIO - No caminho da recuperação da economia após o tombo provocado pela covid-19, os Barômetros Globais Coincidente e Antecedente da Economia registraram o quarto mês seguido de alta em setembro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Barômetro Global Coincidente avançou 4,5 pontos, para 85,0 pontos, enquanto o Barômetro Global Antecedente subiu 5,7 pontos, para 115,9 pontos, o maior nível desde 2010. Os indicadores sobre a economia global, calculados em parceria com o Instituto Econômico Suíço KOF da ETH Zurique, serão divulgados pela FGV nesta quinta-feira, 10.

A alta no Barômetro Global Coincidente vem apontando uma "recuperação que tem cara de ‘V’", mas ainda não está claro se a segunda "perna" da letra seguirá crescendo até a atividade econômica voltar ao que era antes, disse Paulo Pichetti, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV). Com as quatro altas seguidas, o indicador ainda está 8,1 pontos abaixo do nível de fevereiro, antes da covid-19 se espalhar pelo mundo. No Hemisfério Ocidental, região que engloba todas as Américas, o Barômetro Global Coincidente já voltou ao nível de fevereiro.

Já a alta do Barômetro Global Antecedente, que mede as perspectivas de crescimento econômico nos próximos de três a seis meses, sinaliza otimismo com a continuidade da recuperação da economia global no médio prazo. O problema, segundo Pichetti, é que a continuidade desse processo sinalizado pelo Barômetro Global Antecedente ainda é cercada por incertezas.

Pichetti cita três fontes principais de incerteza. Uma é o fato de que a retomada não é consistente entre todos os setores da economia - a indústria saiu na frente. A segunda fonte de incerteza está associada às medidas adotadas pelas principais economias do mundo para mitigar a crise causada pela covid-19, já que existem limites para sua adoção e sua retirada poderá tirar ímpeto da retomada. A terceira é a pandemia em si, já que ainda não é um horizonte claro para o controle da covid-19.

A análise dos indicadores pela ótica regional reforça o quadro de incertezas. O sincronismo da recessão global provocada pela pandemia chama a atenção, com praticamente todos os países do mundo vendo suas atividades econômicas desabarem ao mesmo tempo. A única exceção é a China, onde a doença provocada pelo novo coronavírus surgiu, ainda no fim de 2019, o que fez com que o tombo na economia fosse registrado no primeiro trimestre deste ano.

Ásia, Pacífico e África

Assim, na esteira da recuperação chinesa, que começou já no segundo trimestre, a região da ÁsiaPacífico e África respondeu por 61% da alta do Barômetro Coincidente em setembro - contribuiu com 2,8 pontos para a alta de 4,5 pontos. Por outro lado, no Barômetro Antecedente, a região da Ásia, Pacífico e África registrou queda em setembro, sugerindo perda de ímpeto nas apostas de que a forte recuperação vista no segundo trimestre na China se sustentará mais à frente.

"Uma coisa de diferente de agosto pra setembro é um repique, com novos focos da pandemia na China", afirmou Pichetti, lembrando que as três fontes de incerteza citadas por ele estão interligadas. "Há sobre a evolução da crise sanitária uma incerteza muito grande", completou o pesquisador.

Os dois indicadores calculados pelo Instituto Econômico Suíço KOF e pela FGV são formados a partir dos resultados de pesquisas de tendências econômicas realizadas em mais de 50 países. O objetivo é alcançar a cobertura global mais ampla possível. O Barômetro Coincidente inclui cerca de mil séries temporais diferentes, enquanto o Barômetro Antecedente compreende em torno de 600 séries temporais.

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