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"Economia não é altar de sacrifícios", diz Serra

O prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), classificou ontem a política econômica do Banco Central como "equivocada" e "exagerada", que faz com que a economia brasileira pague um custo "que não precisava". "Há uma overdose de juros. Muito da inflação existente está ligado aos preços administrados, que não dependem da taxa de juros", criticou Serra, durante entrevista ao programa Espaço Aberto Miriam Leitão, da "Globo News."O tucano calcula que juros tão altos afogam os investimentos necessários para o crescimento do País. "Cada 0,5 ponto porcentual a mais gera R$ 2,5 bilhões de gastos." Além disso, no patamar em que está, o juro eleva o real frente ao dólar, tornando mais difícil exportar e mais fácil importar e "não há aumento de produtividade que compense isso", se a situação persistir.O custo pago pelo Brasil, segundo Serra, é totalmente desnecessário, porque o País nunca viveu em um cenário externo "tão excepcional". Serra lembrou ainda que os efeitos da política econômica poderão ser sentidos lá na frente, embora hoje o Brasil venha colhendo bons resultados, apesar dos juros altos. "Imagine se em outro momento tiver uma perturbação internacional. O que vai se fazer? Subir juros? Toda vez que há um choque externo tem de subir juros", observou, emendando que não se deve imaginar que a "economia é um permanente altar de sacrifícios".Questionado sobre o fato de a política econômica adotada pelo governo Lula ser uma continuidade do governo de Fernando Henrique Cardoso, Serra frisou que "pensava diferente", mas não deixou de defendê-la, dizendo que o foco, naquela época, era controlar o câmbio e os juros, lembrou, só subiram quando houve crises externas, como as da Rússia e da Argentina.Sobre os rumores de um possível aumento nas tarifas de transporte público em São Paulo, Serra afirmou que "não tem nada decidido a esse respeito", mas comentou que adotará a cobrança de inativos e aumentará a dos ativos, em cumprimento a uma determinação do próprio governo federal, que teria sido descumprida pela administração de sua antecessora, Marta Suplicy (PT). O prefeito também não poupou críticas e acusações à ex-prefeita, dizendo que pagou, em janeiro, duas prestações da dívida com o Tesouro, uma delas não paga pela antecessora. No mês passado, a Prefeitura paulistana pagou cerca de R$ 360 milhões em dívidas financeiras com o governo federal e o BID, disse.Serra acusou a administração anterior de ter cancelado cerca de R$ 800 milhões em dívidas com fornecedores, "como se os serviços não tivessem sido executados", um truque, na visão dele, para driblar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Pelas contas da atual gestão, os gastos feitos no ano passado e jogados para serem pagos neste ano somam R$ 2,150 bilhões. O caixa, quando ele assumiu, tinha aproximadamente R$ 300 milhões em verbas vinculadas (para gastos com saúde e educação, por exemplo). Somente as obras viárias feitas por Marta Suplicy, como o túnel Rebouças, deixaram R$ 180 milhões de dívidas. E agora, disse ele, "estão tendo de ser refeitas".José Serra garantiu que permanecerá os quatro anos na Prefeitura e que não cogita afastar-se para uma eventual candidatura à Presidência em 2006. Ele se recusou a responder se Fernando Henrique Cardoso disputará o pleito pelo PSDB. "Falo com ele sempre. Mas não vou falar da vida dele."

Agencia Estado,

03 de fevereiro de 2005 | 06h45

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