Economia precisará de mais investimentos para crescer

A economia está retomando a normalidade, mas é uma recuperação cíclica, na avaliação do economista Eduardo Gianetti da Fonseca. Em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, o economista disse que com a situação atual de redução dos juros, e a melhoria na demanda, o empresário poderá aumentar a oferta dentro da capacidade produtiva existente. Mas alertou que em algum momento a economia vai estar operando muito perto da sua plena capacidade e o crescimento vai depender de novos investimentos. "E aí, infelizmente, o cenário no Brasil não é nada bom. Os números que nós temos de formação bruta de capital fixo mostram que houve uma redução forte no nível de investimento, tanto do setor privado quanto do setor público e de investimentos diretos estrangeiros. Portanto, eu diria que a curto prazo o cenário é bom, é uma recuperação cíclica, mas a médio prazo continua muito nebuloso", afirmou Gianetti da Fonseca.Na opinião do economista, se não houver uma definição clara sobre o marco regulatório e uma confiabilidade nos contratos, o investimento em infra-estrutura não vai ocorrer. "Seria importante o Congresso Nacional prestar atenção na importância de votar medidas da chamada agenda microeconômica, como a lei de falências, reforma tributária, marco regulatório, e parceria público privada, para poder preparar o terreno para o crescimento sustentado", observou.Ele alertou para o risco, no futuro, da falta de investimentos no setor de transporte. Para Gianetti da Fonseca uma das causas do desestímulo de novos investimentos no País é a enorme drenagem de recursos do setor privado para financiar gastos correntes do setor público. Segundo ele, o setor privado transfere uma "fatia enorme" de sua poupança para financiar o setor público, que transforma essa poupança em gastos correntes e não em novos investimentos. "Isso restringe muito o potencial de crescimento no País". Ao mesmo tempo, lembrou o economista, o ambiente de negócios no Brasil é muito ruim. "É muito difícil abrir um novo negócio no Brasil", disse o economista que a título de exemplo, citou que enquanto o Brasil leva 152 dias para a abertura de um novo negócio, a Austrália precisa de apenas dois. Além disso ressaltou, o crescimento da informalidade, e a falta do marco regulatório, desestimulam o empresário a investir. "Nisso, realmente o Brasil está deixando muito a desejar".Gianetti da Fonseca atribui a diminuição de investimentos estrangeiros de longo prazo, nos últimos dois anos, à falta de uma visibilidade da inserção global do Brasil. "O governo Lula acertou muito a política macroeconômica de curto prazo, mas não está acertando na criação desse horizonte de inserção global. Ninguém sabe qual é a postura do governo Lula em relação a Alca, por exemplo. A impressão que se tem é que o Brasil não quer negociar. Quer apenas retardar o momento de chegar a algum tipo de acordo que seria muito importante para melhorar o nível de investimento estrangeiro", afirmou. "Eu acho que nesse aspecto o governo está deixando de fazer medidas importantes para preparar a segunda etapa. Eu não estou preocupado com a recuperação cíclica que já está a caminho e deve ocorrer nos próximos meses. Eu estou preocupado com o que vem depois. Depois dela o potencial de crescimento é muito baixo e se continuar assim a frustração é inevitável", concluiu.

Agencia Estado,

17 de junho de 2004 | 10h31

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