WERTHER SANTANA / ESTADÃO
WERTHER SANTANA / ESTADÃO

Economia se tornou dependente do BNDES, diz BTG Pactual

Para André Esteves, CEO do banco, movimento de dependência das empresas beira a uma estatização do crédito; executivo fez uma palestra durante o Summit Imobiliário 2015, promovido pelo 'Estadão' e pelo Secovi-SP

Mário Braga e Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2015 | 14h34

A economia brasileira está ficando dependente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), movimento que beira a uma estatização do crédito, na avaliação do CEO do BTG Pactual, André Esteves. "O BNDES é um órgão que deveria ser orgulho para nós e não me preocupa pela corrupção, mas pelo tamanho, que beira o disfuncional", afirmou ele, em palestra no Summit Imobiliário 2015, promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo e pelo Secovi-SP.

Os desembolsos do BNDES no ano passado, conforme Esteves, foram quatro vezes maiores do que os do Banco Mundial. A cifra chegou a R$ 187,8 bilhões no ano passado, recuo de 1% ante 2013. O orçamento de desembolsos para este ano é de R$ 170 bilhões. O montante significa um tombo de 9,5%

Segundo ele, o BNDES deve ser utilizado para investimento de longo prazo e para aqueles que o mercado não vai conseguir financiar, como o projeto de Belo Monte, por exemplo. Empréstimos para companhias como Vale, Lojas Americanas e outras, de acordo com Esteves, podem ser obtidos no mercado de capitais e também junto a investidores internacionais. 

O mercado internacional neste momento tem agenda favorável a países emergentes e a taxa de juros zero nas grandes economias se traduz em quantidades significativas de recursos disponíveis para investimentos. "Capital nunca esteve tão disponível para boas ideias", pontuou.


Falando a lideranças do setor imobiliário, Esteves afirmou que o segmento sempre foi fonte de oportunidades em "todos os momentos", os favoráveis e os de crise. Para ele, o atual momento é de adversidade e o Brasil deve enfrentar uma retração da economia em 2015. O especialista ponderou, no entanto, que o atual cenário de adversidade não deve ser encarado apenas como uma crise, mas também como de possíveis oportunidades. "Mesmo com a deterioração da confiança no País, o fluxo internacional não cessou", afirmou, em referência à entrada de recursos no País.

Esteves ressaltou que o mercado de equity imobiliário é muito maior que a capitalização da bolsa de valores e que há capital disponível para investimentos. Os programas de relaxamento quantitativos no Japão e na União Europeia foram citados como fatores que aumentam a oferta de recursos na economia global e podem favorecer os negócios. "A da consequência financeira é taxa de juros zero com abundância nunca antes vista de capital", estimou. 

Otimismo. Andre Esteves afirmou que está um pouco mais otimista com a situação da economia brasileira e ressaltou que a ida de Joaquim Levy para o ministério da Fazenda foi positiva. "Estamos fazendo a reversão de um quadro fiscal e vamos conseguir fazer superávit em 2015", afirmou. A magnitude do superávit, no entanto, ainda é uma dúvida. "Não acho que seja de 1,2% do PIB. Mas pode ser, 0,9%, 0,8%, até 0,75% do PIB. Mas pelo menos o caminho está correto", afirmou. O CEO do BTG Pactual projetou uma retração de cerca de 1,5% do PIB em 2015, e uma expansão de até 2% em 2016, caso a agenda de ajuste fiscal se confirme.

Esteves apontou o aumento das tarifas de energia elétrica, o aumento da alíquota da Cide sobre a gasolina e a valorização do dólar ante o real como medidas necessárias. "As mudanças de preços intensas no primeiro trimestre de 2015 não são o problema, mas parte da solução", pontuou.

Para ele, o realinhamento de preços era necessário para a retomada do crescimento da economia no ano que vem. "Podemos ter até 2% de crescimento em 2016, o que é muito pouco, disse. Para o CEO do BTG Pactual, o Brasil ainda enfrenta desafios no âmbito da microeconomia e do lado político, mas, na opinião dele, a situação política "deve acalmar" no País. 

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