Economia superaquecida preocupa agência de risco

Demanda no mercado interno pressiona as exportações e a inflação, diz a agência[br]de risco Moody's

, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 00h00

A forte recuperação da economia brasileira depois da crise poderá colocar o país em "território de superaquecimento" ainda este ano, o que pode levar a inflação a 6% até julho, avalia a agência de classificação de risco Moody"s.

Em relatório divulgado ontem, a Moody"s diz que o forte crescimento econômico, baseado principalmente no consumo interno, "já está pressionando a inflação e as importações".

"Os estímulos fiscais agressivos adotados no ano passado, aliados a um estímulo monetário, impulsionaram o consumo doméstico como principal motor do crescimento", diz o texto.

Ainda de acordo com o relatório, os sinais de "excesso" no consumo interno começaram a aparecer no quarto trimestre do ano passado.

"Desde o final do ano passado, a produção nacional não tem sido capaz de satisfazer a demanda doméstica."

O resultado foi o aumento da inflação, que saiu de 4,3% em dezembro para 5,2% em março. Considerando esse cenário, a agência prevê uma inflação de 6% até julho ? próxima do teto da meta do governo, de 6,5%.

O documento sugere que o país faça um aperto monetário "logo", com aumento da taxa básica de juros, a Selic.

O assunto será discutido pelo Comitê de Política Monetária Copom), do Banco Central, na próxima quarta-feira.

"O BC deveria considerar um aumento de 0,5 a 0,75 ponto porcentual na taxa Selic nesse encontro de abril", diz o relatório.

A previsão dos analistas brasileiros, segundo a pesquisa Focus, do BC, é de uma elevação dos juros em 0,5 ponto porcentual na próxima semana. Para a Moody"s, a taxa deve subir até dezembro para 10% ou 11% ao ano. / BBC

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.