Economia tem tudo para crescer 4,5% no ano que vem

Após dois anos de estímulos ininterruptos das políticas monetária e fiscal, foi natural a expansão projetada para 2010. O crescimento esperado de 7% não se deve repetir em 2011, mas as condições atuais e esperadas da política econômica não permitem acreditar que haja uma desaceleração exagerada.

Cenário: Sergio Vale, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

Primeiro, os sinais são claros de que o Banco Central (BC) avalia que uma taxa de juros de 10,75% ao ano é suficiente para conter a inflação. Para nós, 10,75% são insuficientes. Vale dizer que, em algum momento do começo de 2011, a inflação deverá voltar a bater em 5,2% em 12 meses. Mesmo que o BC volte a subir a Selic, como acreditamos, o impacto será distribuído entre 2011 e 2012, ou seja, podemos ter dois anos de crescimento abaixo ou próximo do potencial.

Segundo, é difícil acreditar que a política fiscal vá desacelerar. O máximo que se coloca é um congelamento temporário do crescimento de salários e contratações. Mas isso deve ser contrabalançado pela continuidade bem-vinda da alta do investimento. Aliás, os últimos dados mostram que o crescimento do gasto com pessoal e encargos tem desacelerado mês a mês, mas os gastos totais têm subido, justamente por causa do investimento. Com Copa e Olimpíada se aproximando e as necessidades urgentes de infraestrutura, os gastos continuarão acelerados. Isso vale para os bancos públicos, que deverão continuar expansionistas para financiar a infraestrutura.

Finalmente, mesmo que os EUA entrem num processo mais longo de desaceleração, não é nada radicalmente diferente do que se imaginava. Nosso cenário sempre foi de um crescimento americano que se arrastaria por anos em torno de 2%, número que o PIB americano caminha para apresentar este ano. Apenas crises profundas como a de 2008 têm impactos relevantes nas exportações e na indústria como tivemos. Uma desaceleração mais suave deverá ser imperceptível na exportação, principalmente porque outros parceiros deverão continuar em forte expansão, especialmente a América Latina e a Ásia.

Assim, a economia tem tudo para continuar crescendo em 2011 os 4,5% que projetamos. O único porém é estatístico. Com a expansão da indústria na casa de 20% neste primeiro semestre, o início de 2011 poderá ver números negativos na comparação com 2010. Será mais uma razão para políticas equivocadas que acelerem o crescimento e mantenham a inflação acima da meta.

É ECONOMISTA-CHEFE DA MB ASSOCIADOS

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