Economia tende a crescer menos neste ano, admite BC

Ata do Copom cita, pela primeira vez, que expansão do PIB neste ano poderá ser menor do que em 2013

Adriana Fernandes, Victor Martins, Lais Alegretti, Agência Estado

05 de junho de 2014 | 08h55

Pela primeira vez, o Banco Central admitiu que o ritmo de expansão da atividade econômica no Brasil tende a ser menos intenso este ano em comparação a 2013. A avaliação consta na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na manhã desta quinta-feira, 5, e contrasta com o cenário traçado anteriormente, de que a expansão da atividade econômica tendia a se manter relativamente estável este ano.

O BC avalia agora que o consumo tende a crescer em ritmo mais moderado do que o observado em anos recentes e os investimentos tendem a ganhar impulso. Na ata anterior, a avaliação era de que o consumo tendia a continuar em crescimento, porém em ritmo mais moderado e os investimentos "ganhariam impulso". A mudança na avaliação do BC sinaliza uma preocupação com o impacto da política monetária no ritmo de crescimento econômico do País.

Segundo a ata da última reunião, no médio prazo, mudanças importantes devem ocorrer na composição da demanda e da oferta agregada. A ata dá mais ênfase nessa avaliação ao incluir a palavra "importante". O BC também avaliou na ata divulgada hoje que as taxas de expansão da absorção interna têm sido maiores do que as do PIB, mas que tendem a se aproximar.

A avaliação é um pouco diferente da que constava na ata anterior, de abril, quando o BC avaliava que a absorção interna se aproximava da taxa de expansão do PIB. O BC retirou também avaliação anterior de que expansão da absorção interna tenderia a ser beneficiada, entre outros fatores, pelos efeitos de ações de política fiscal, pela expansão moderada da oferta de crédito (especialmente de crédito de consumo), pelo programa de concessão de serviços públicos e de permissão de exploração de petróleo.

Para o BC, o cenário de maior crescimento global, combinado com a depreciação do real, milita no sentido de torná-lo mais favorável ao crescimento da economia brasileira. Pelo lado da oferta, o Comitê avalia que, em prazos mais longos, emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria, e também da agropecuária. E o setor de serviços tende a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes.

"É plausível afirmar que esses desenvolvimentos - somados a avanços em qualificação da mão de obra e ao programa de concessão de serviços públicos - traduzir-se-ão numa alocação mais eficiente dos fatores de produção da economia e em ganhos de produtividade", diz o BC. O Copom ressaltou, porém, que a velocidade de materialização depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias.

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