Economia vai piorar antes de se recuperar, diz governo dos EUA

'Estado atual é pior do que tínhamos pensado e a cada dia piora', disse vice-presidente em entrevista

Efe,

26 de janeiro de 2009 | 04h47

A economia americana pode piorar antes de se recuperar, inclusive com a rápida intervenção do novo governo para estimulá-la e salvar instituições financeiras, advertiu neste domingo, 25, a Casa Branca. Veja Também:De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  O estado atual da economia é pior do que tínhamos pensado e a cada dia piora, disse o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, no programa "Face The Nation" da rede CBS. "Iniciamos a corrida e estamos correndo, mas (a situação) piorará antes que melhore", advertiu Biden, que rebaixou assim as expectativas geradas em torno do novo plano de estímulo de US$ 825 bilhões proposto pelo governo e que está negociando atualmente com o Congresso. Enquanto isso, o Congresso autorizou o presidente, Barack Obama, a usar os restantes US$ 350 bilhões do plano de resgate aprovado pela administração Bush, apesar das críticas de legisladores sobre como foi gasto o primeiro montante. Inclusive está disposto a facilitar fundos adicionais para resgatar bancos que lutam para evitar a quebra, sugeriu a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, no programa "This Week" da rede "ABC". Pelosi disse que provavelmente seria necessário algum investimento adicional aos US$ 700 bilhões aprovados no ano passado para devolver a estabilidade aos bancos e reativar os empréstimos. Isso, ressaltou, nesse caso, o governo deveria receber ações em troca e transferir a receita aos cidadãos para compensá-los de alguma maneira. Timothy Geithner, a quem Obama nomeou como secretário do Tesouro e cuja designação ainda precisa ser confirmada pelo Senado, afirmou na semana passada que, por enquanto, o governo não planeja pedir mais dinheiro ao Congresso. Plano de estímulo O novo plano de estímulo no qual trabalham o Governo e o Congresso prevê que dois terços dos fundos serão destinados a investimentos e o resto a cortes de impostos. O objetivo é criar ou evitar a perda de entre três e quatro milhões de empregos. Se for aprovado, Obama quer que isto aconteça antes do dia 16 de fevereiro, seria o maior plano de estímulo aprovado no país. Os democratas procuraram diminuir as expectativas e insistiram em que a crise não se resolverá da noite para o dia. O diretor de Economia Nacional da Casa Branca, Lawrence H. Summers, ressaltou que os problemas não surgiram em um dia ou em uma semana e não serão resolvidos tão rápido. Afirmou no programa "Meet the Press" da cadeia NBC que "inclusive se nos movimentamos o mais rápido possível na hora de impulsionar a economia, também temos que procurar que um plano adequado que nos sirva no tempo". O assessor de Obama afirmou que o governo poderia enfrentar uma despesa de mais de US$ 1 trilhão para estimular a economia e resgatar instituições financeiras, mas também disse que terá que manter uma disciplina fiscal quando a economia se recuperar. Também se mostrou a favor de acabar com os cortes de impostos autorizados por Bush para os cidadãos que ganham mais de US$ 250.000. Já os republicanos reivindicam maiores cortes tributários e consideram que os projetos de despesa do plano de estímulo não poderiam ser levados a cabo suficientemente rápido para que tenha um efeito positivo na economia. O líder da minoria republicana na Câmara Baixa, John Boehner, destacou que os Estados Unidos não vão voltar ao caminho da prosperidade emprestando e gastando dinheiro.

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