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Economias da OCDE entraram em recessão

Os Estados Unidos irão arrastar vários países desenvolvidos para uma longa recessão, afirmou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), prevendo que a maior economia mundial será a mais atingida durante a desaceleração atual. Segundo o órgão, as economias da OCDE como um todo entraram em recessão e irão encolher 0,3% no próximo ano e se recuperar em 2010, com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5%. A OCDE projeta que tanto os EUA quanto a zona do euro podem experimentar quatro trimestres consecutivos de contração. A OCDE reúne 30 países, que produzem mais da metade de toda a riqueza do mundo. O Brasil não faz parte da organização.A economia dos EUA encolherá 2,8% no último trimestre deste ano e 2% nos primeiros três meses de 2009, e voltará a ter crescimento apenas no terceiro trimestre do próximo ano, prevê a OCDE.A zona do euro terá uma recessão mais amena, com contração de 1% e 0,8% do PIB no último trimestre deste ano e no primeiro de 2009, respectivamente, acredita a OCDE. A economia japonesa irá encolher por apenas seis meses e se recuperar novamente no primeiro trimestre de 2009.Segundo o órgão, os problemas duradouros nos mercados financeiros mundiais e o declínio dos preços de moradias são os principais motivos da desaceleração, e a volta ao crescimento não acontecerá de forma rápida. "Essa certamente não é uma recessão em formato V", disse Jorgen Elmeskov, economista-chefe da OCDE, em entrevista, alertando que a turbulência nos mercados irá pesar sobre a economia até 2010.JurosOs países desenvolvidos dependerão de pacotes de estímulo fiscal para minimizar o impacto do sofrimento econômico, uma vez que os juros já estão em níveis baixos, deixando os bancos centrais com pouco espaço de manobra, afirmou a OCDE. Em suas projeções, a OCDE prevê que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) cortará o juro em 0,50 ponto porcentual e o Banco Central Europeu (BCE) em 1,25 ponto porcentual até o começo do próximo ano. O Banco do Japão deixará o juro em 0,3% ao ano.Segundo a OCDE, a situação é bem diferente nas maiores economias mundiais e no Japão e nos EUA o espaço para mais cortes de juro é limitado. Já a Europa está em situação um pouco melhor, com espaço para manobra tanto na parte do juro quanto na política orçamentária.A organização alertou hoje que os equilíbrios fiscais irão piorar em todos os países desenvolvidos, à medida que os países fazem esforços para evitar a recessão. Mas isso pode não ser suficiente. "Contra um pano de fundo de desaceleração econômica profunda, estímulo macroeconômico adicional é necessário", diz a OCDE, em relatório.Para os mercados financeiros, a OCDE acredita que o cenário pode piorar no próximo ano. "Em 2009, os riscos estão inclinados para o lado negativo", aponta o relatório do órgão. Esses riscos incluem mais falências de instituições financeira e as economias emergentes sendo atingidas mais duramente pela desaceleração no comércio global e por uma reavaliação de risco entre os investidores. "Mais medidas para estabilizar os mercados financeiros não podem ser excluídas", diz a OCDE.Elmeskov disse que o setor financeiro mereceu ser resgatado por conta de sua "importância sistêmica", mas a OCDE não é a favor de ajuda direta do governo a outros setores, tais como a indústria automotiva, devido ao risco de "perpetuar alguns problemas, como o excesso de capacidade corporativa". As informações são da Dow Jones.

NATHÁLIA FERREIRA, Agencia Estado

13 de novembro de 2008 | 09h11

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