''Economist'' alerta para ''impulso de gastança''

"Por tradição, o Brasil investe pouco e poupa menos ainda. Brasileiros gostam de tomar empréstimos e sair gastando, e o futuro que vá para o inferno." Esse é o início de uma reportagem publicada ontem na edição online da revista britânica The Economist sobre o marco regulatório para o pré-sal, anunciado na segunda-feira.

Andrea Vialli, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

04 de setembro de 2009 | 00h00

A reportagem alerta para o risco das receitas oriundas da exploração do pré-sal serem gastas sem critério, e faz menção à retórica ufanista do presidente Lula, que chamou o petróleo do pré-sal de "dádiva de Deus" e "bilhete milionário". E ressalta que o próprio Lula alertou para o perigo da maldição do dinheiro mal administrado das reservas petrolíferas.

"A descoberta de vastos campos de petróleo será um teste crucial para a fibra moral do Brasil: dependendo de como for usada, essa nova riqueza poderá ajudar o País a superar a pobreza e o subdesenvolvimento, ou exagerar seus impulsos de gastança."

A reportagem ressalta que as regras para a exploração do petróleo, enviadas ao Congresso, não afetam os contratos já existentes entre a Petrobrás e outras cinco empresas que atuam sob o regime de concessão. Mas fala dos riscos operacionais. "Os campos do pré-sal são tecnologicamente complexos e custosos. Dois poços recentemente perfurados pelas empresas BG e Exxon Mobil estavam secos."

Sobre o fundo a ser criado para receber os recursos, inspirado na Noruega, a Economist diz que, se esse dinheiro não for investido, "inflará ainda mais um Estado cuja receita já é equivalente a 36% do PIB, contra 20% no México".

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