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Economist: 'Previdência do Brasil é generosa'

O sistema previdenciário do Brasil está "entre os mais generosos do mundo", na opinião da revista The Economist.

SÍLVIO GUEDES CRESPO, ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2012 | 03h07

Segundo dados da revista, no Brasil existem apenas 10 pessoas com mais de 65 anos para cada 100 indivíduos com idade entre 20 e 64. Ou seja, é um país jovem, comparado, por exemplo, com a França, onde essa proporção é de quase 30 idosos para cada 100 adultos não idosos. No entanto, o Estado brasileiro gasta o mesmo que o francês com aposentadorias e pensões, em proporção do PIB. Ambos destinam pouco mais de 10% da sua produção ao pagamento desses benefícios.

Entre os países do G-7, o único que destina uma fatia maior do PIB a aposentados e pensionistas é a Itália. Lá, porém, há três vezes mais pessoas acima de 65 anos do que no Brasil.

Para a Economist, a presidente Dilma Rousseff, após conflitos com a base aliada, está testando "o restante do seu poder de fogo" no projeto de reforma da Previdência. A revista avalia que o sistema previdenciário no Brasil é "voraz" e "ameaça inflar o orçamento".

A proposta de reforma já foi aprovada na Câmara e agora tramita no Senado. A partir do momento em que entrar em vigência, o novo sistema previdenciário fará o déficit dos servidores federais cair do atual nível de 1,4% do PIB para 1,27% daqui a 60 anos, segundo uma projeção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o que representará uma economia anual de R$ 5 bilhões.

Por outro lado, os servidores federais terão aposentadorias menores do que as atuais. Em alguns casos, como o de auditor fiscal da Receita, a reforma tende a reduzir em um quarto a remuneração do aposentado, ainda de acordo com o Ipea.

A comparação dos gastos com aposentadoria como proporção do PIB é válida para entender o impacto dessas despesas na economia brasileira. Dá uma ideia, ainda, da dificuldade que o Estado terá para sustentar esse modelo nos próximos anos.

Comparação. Essa comparação, porém, não é suficiente para constatar que aqui os aposentados sejam mais bem pagos do que nos outros países analisados. Por exemplo, o Brasil tem um PIB comparável ao da França, mas uma população idosa muito maior, em números absolutos. São 22 milhões com mais de 60 anos aqui e 15 milhões lá.

Se os dois países gastam praticamente o mesmo com o total de idosos, como fazem crer os dados da Economist, então na média cada idoso brasileiro ganha menos que na França.

A diferença é que o PIB per capita na França é quase quatro vezes maior que o do Brasil, o que permite a eles sustentar um modelo previdenciário de alto nível - ou ao menos vinha permitindo antes da atual crise.

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