Economista alerta para falta de investimento na produção

O economista Eduardo Giannetti do IBMEC prevê dois cenários bem distintos para a economia brasileira no curto e no longo prazos. Em entrevista ao Conta Corrente, da Globo News, Giannetti projetou que, por estar num nível de atividade muito baixo, deverá ocorrer um aquecimento da economia até o final do ano. "Outra coisa bem diferente é o que esperar daí para a frente", ressalvou o economista. "Será que nós vamos ter condições de encontrar o caminho do crescimento pela expansão da capacidade produtiva", indagou receoso. "Ou será que nós vamos ter um crescimento de baixo a moderado, a longo prazo, dado o fato de que as condições e o ambiente para investimento hoje no Brasil não são dos mais favoráveis?".Pessimista quanto a indicadores, como a queda das importações de bens de capital e a relativa deterioração do ambiente do mercado financeiro nas últimas semanas, Giannetti pondera que não vem ocorrendo investimento na expansão da produção. "É sinal de que não está havendo um movimento de investimentos que criaria a condição de o País crescer a médio e longo prazos", advertiu. E mesmo o atual ritmo de crescimento das exportações não estaria conseguindo se disseminar para o restante da economia. "E um crescimento de 25% a 30% no ano não é alguma coisa que se repita por vários anos: é uma coisa que ocorre quando se tem um movimento forte do câmbio e quando o mercado interno está muito retraído", lembrou o economista.Reformas tributária e trabalhista, os próximos passosVencida a batalha contra a inflação, Eduardo Giannetti adverte que o foco do governo agora deve estar voltado para o estímulo à retomada dos investimentos na produção, já que a redução ocorrida nos dois últimos anos nesse item coloca o País muito próximo de seu limite de produção. A solução, segundo ele, seria o governo reconquistar a confiança dos investidores estrangeiros. "Oferecer a esse investidor de longo prazo um ambiente econômico no Brasil que lhe dê um horizonte de crescimento sustentável a longo prazo", destacou Giannetti. "Eu acho que a agenda do governo agora deve contemplar exatamente um empenho muito grande em promover uma reforma tributária e uma reforma trabalhista que melhore o ambiente de investimentos no Brasil."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.