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Economista alerta para o risco de pânico inflacionário

O economista Luciano Coutinho, da LCA Consultores, disse hoje à Agência Estado que é necessário evitar "o pânico inflacionário, que o País vive no momento por causa da pressão cambial". Para isso, disse, "é necessário controlar a taxa de câmbio, mais do que já sendo conseguido".Coutinho afirmou ser necessário que a nova presidência do Banco Central, independentemente de quem venha a ser indicado, se comprometa a respeitar o regime de metas de inflação, nem que para isso seja necessária a utilização das taxas de juros.Segundo ele, as metas de inflação acertadas entre o Banco Central e o FMI não podem ser mexidas a toda hora. "Precisam ser respeitadas. Seria um absurdo sacrificar esta conquista que custou muito caro", afirmou. O economista disse que "qualquer eventual revisão de metas precisa ser feita de forma muito ponderada". "O importante é que o mercado saiba que haverá alguma ação firme do governo para controlar a inflação e que o BC terá uma política monetária cuidadosa para garantir o cumprimento destas metas." Luciano Coutinho disse estar preocupado com a disparada dos preços e avalia que o País esteja vivendo um choque inflacionário provocado pelo câmbio. De acordo com ele, o impacto do dólar já afetou o IGP-M e vai influenciar o IPCA, o índice usado pelo BC para o regime de metas.Para ele, se o dólar recuar para um patamar de R$ 3,20 ou R$ 3,30, ajudará a deflacionar os preços no atacado, mas dificilmente haverá um recuo nos preços do varejo. "Este é o grande desafio do novo governo", afirmou.Indagado se ele fará parte da equipe de transição, ou eventualmente da equipe econômica a partir do próximo ano, Coutinho afirmou ter atividades profissionais na universidade e como consultor. "Não tenho planos de participar e não fui convidado."CâmbioO economista também afirmou que a lua de mel pós-eleitoral do mercado poderá durar apenas mais 10 dias, pelo menos no que se refere à taxa de câmbio, sujeita a registrar novos períodos de tensão. Ele explicou que a tranqüilidade do mercado dependerá em parte do Banco Central, que se verá mais uma vez pressionado pelos vencimentos de títulos cambiais na próxima semana. "Em meados de novembro e em dezembro ainda teremos turbulências, já que nada garante que o Banco Central consiga, como na sexta-feira da semana passada, rolar novos títulos cambiais que estão para vencer", disse.Segundo Coutinho, a pressão cambial só deverá diminuir assim que alguns desafios forem vencidos. Entre eles, o economista citou a aprovação do Orçamento de 2003, que, por sua vez, precisa ser complementado. "Para garantir o superávit primário de 3,75% acertado com o Fundo Monetário Internacional, há necessidade de recursos complementares nesse orçamento", afirmou.O economista disse também que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva precisa garantir a governabilidade, condição que será amplamente observada pelo mercado. "Se esse fatores forem confirmados ainda este mês, mesmo com sacrifícios, a crise poderá ser vencida."Para ele, o recuo do dólar, que acumula uma queda de 2,75% desde o início do mês, ainda é tênue e teve como fatores os "bons" balanços do terceiro trimestre de conglomerados norte-americanos e a guerra com o Iraque, dada como certa, que não ocorreu. Isso, disse Coutinho, fez com que o preço do petróleo recuasse e ainda permitiu a possibilidade de o Fed (BC norte-americano) reduzir sua taxa de juros. "Tudo isso diminui a tensão dos mercados", explicou.PrevisõesNesse cenário, disse o economista da Unicamp, o dólar deverá ficar ainda relativamente caro até o final do ano. Na opinião dele, a taxa de câmbio até o final de dezembro poderá recuar para um patamar próximo de R$ 3,20 ou R$ 3,30 por dólar. "Ficando um pouco acima de R$ 3,00 poderá ser suficiente para gerar saldos comerciais capazes de, junto com os investimentos diretos e os recursos do FMI, atender às necessidades de financiamento externo de 2003", afirmou.De acordo com ele, a LCA Consultores estima ainda que o PIB no próximo ano poderá se expandir 1,8% e os investimentos estrangeiros diretos chegar a US$ 13 bilhões. As perspectivas da consultora mostram ainda que as exportações brasileiras em 2003 deverão se aproximar de US$ 64,6 bilhões, ante US$ 49,8 bilhões de importações. Coutinho disse também aos diretores do Sebrae-SP que o IPCA no próximo ano deverá ficar em torno de 7,5%, enquanto que o IGP-M deverá beirar os 9,5%. O economista estima que a taxa de juros (selic) permanecerá em 21% por um longo período, caindo para 17,5% só ao final de 2003. Sobre as contas do governo, a LCA Consultores prevê um déficit de US$ 9,3 bilhões, ou 2,2% do PIB das contas correntes. Já a dívida líquida do setor público poderá ficar em 63,3% do PIB.

Agencia Estado,

05 de novembro de 2002 | 14h50

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