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Economista alerta para risco de indexação salarial

O ex-ministro do Trabalho, Edward Amadeo, alertou hoje para o risco de uma eventual indexação salarial chegar à esfera legislativa e judiciária. "Se a indexação chegar à esfera legislativa (uma lei salarial) ou judiciária, com os juízes do trabalho arbitrando a favor de indexação, o processo se disseminaria, sem ter relação com as condições econômicas das empresas. Aí teríamos o caminho mais curto para a década de 80", disse.Segundo ele, para evitar a volta da indexação salarial, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva deveria evitar qualquer sinal de que é favorável a mecanismos de indexação pela via legislativa ou judiciária. "É importante que esse tema não apareça no pacto proposto pelo presidente eleito e nas câmaras setoriais", disse o economista.Na avaliação dele, a volta da indexação salarial é o maior risco para a estabilidade da moeda. Mas está condicionado a outro risco, que é a manutenção de taxas de câmbio muito elevadas ao longo dos próximos meses. "Daí a importância dos membros da equipe de transição emitirem sinais, transformados em atos no início do governo, que reduzam os prêmios de risco e o câmbio. Esse é um fator chave para o sucesso do novo governo e o futuro da economia brasileira nos próximos anos", afirmou. Para ele, a situação da economia requer políticas fiscal e monetária muito conservadoras pelo governo Lula.Na avaliação do ex-ministro, a demanda por aumento de salários no setor privado não deveria ser assunto do governo. "Aliás, a CUT sempre defendeu a negociação direta entre patrões e empregados. Se for assim, a questão não deve se colocar para o novo governo", disse.Segundo ele, mesmo com taxa de inflação de um dígito, mas elevada e sem perspectivas de queda, é de se esperar que haja demanda por indexação. Ele não vê problema enquanto a demanda permanecer no campo da negociação coletiva. "É claro que nos setores que exportam e competem com importações, com taxa de câmbio muito depreciada, as empresas podem dar aumentos de salários", disse.Mas, nos outros setores (de empresas que não fabricam produtos para a exportação), com a economia estagnada, as firmas serão mais cautelosas na negociação. Apesar da alta recente dos índices, ele acredita que a inflação está sob controle. "Temos uma economia aberta, ainda que com câmbio muito depreciado, sem mecanismos de indexação, e um sistema de metas de inflação que, diante de todos os choques nos últimos anos, mostrou-se muito eficaz", disse Amadeo, que é sócio da consultoria Tendências.

Agencia Estado,

06 de novembro de 2002 | 15h35

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