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Economista André Urani morre no Rio

Estudioso dos diversos tipos de desigualdade e da questão social nas metrópoles, ele fez parte de um grupo de especialistas que deu subsídios a programas sociais no País

FERNANDO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h08

Memória

Faleceu ontem no Rio o economista André Urani, aos 51 anos, que se destacou por uma intensa atividade nas áreas de pobreza, desigualdade e de economia das metrópoles. Nos últimos anos, Urani engajou-se no movimento em prol da recuperação do Rio. Entre as muitas atividades voltadas a essa questão, promovia jantares semanais de debates, a Osterio, e assinava uma coluna no jornal O Dia. Era também comentarista da rádio CBN.

Urani fez parte do grupo de economistas que deu um grande foco na questão social a partir de meados da década de 90, pesquisando mercado de trabalho, pobreza e os diversos tipos de desigualdade - de renda, educação, e a que provém de gênero, raça e outras características.

Outros especialistas de destaque neste grupo, todos com forte laços profissionais e de amizade com Urani, são Ricardo Paes de Barros, que atua na Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República; Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais (CPS), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio; e Ricardo Henriques, principal responsável pelas ações sociais nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio. Da pesquisa e fermentação intelectual desse grupo derivaram alguns sucessos de política social no Brasil, como o Bolsa Família.

Nos últimos anos, porém, Urani voltou-se decididamente para as questões urbanas, e pôde dar vazão neste trabalho à sua grande paixão pelo Rio de Janeiro.

O economista tinha uma visão sofisticada sobre a economia das metrópoles, e, italiano de nascimento, era um admirador da vigorosa presença das pequenas e médias empresas no dinamismo de várias importantes cidades da Itália. No caso brasileiro, ele preocupava-se com a transição metropolitana da base industrial para outras atividades ligadas à inteligência e à criatividade, como software, design, turismo, etc. Nessa reflexão, São Paulo também sempre esteve muito presente, com atestam matérias sobre estudos seus publicadas no Estado.

Outro tema importante para Urani era o impacto das diferenças raciais na renda e na educação. No início de 2010, em reportagem no Estado, ele indicou que mais da metade dos negros e mestiços já estavam na classe média, incluindo o segmento popular da classe C.

Nascido em Turim, Urani veio para o Brasil ainda criança, já que seu pai, já falecido, foi executivo do grupo Fiat no país. Ele formou-se em Economia pela PUC-Rio, e fez mestrado e doutorado pelo Delta, de Paris. Urani era presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), no Rio, e trabalhou com inúmeras instituições brasileiras e internacionais, incluindo o Banco Mundial. Também foi secretário municipal de Trabalho do Rio (1997-2000). Urani faleceu em consequência de um câncer, e deixa três filhos.

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