Economista aponta "riscos" para o BC

Dois problemas continuarão desafiando o Banco Central, na avaliação do economista Maurício Levy, diretor da Fama Investimentos: os reajustes salariais das categorias com data-base nos próximos três meses e o câmbio, que não deve ficar abaixo de 2,90 reais até o final do ano. Para ele, embora o dólar possa continuar em queda nas próximas semanas, dificilmente essa tendência se manterá por longo tempo, com reflexos na inflação. "Isso acaba segurando a redução dos juros", disse. Mas acrescentou em seguida, na entrevista que concedeu ao programa Conta Corrente, da Globo News: "O Banco Central precisa e deve começar essa redução. O risco é ficar esperando o ponto ótimo e perder uma oportunidade, como já o fez no passado."Para Levy, o câmbio não deve ficar muito calmo nos próximos meses. "O câmbio tende a ficar calmo, mas a gente sabe que ele acaba oscilando quando menos se espera." Explicou que, hoje, mesmo diante do cenário de liquidez mundial, o Banco Central ainda precisa reduzir o volume de hedge cambial que colocou no mercado, já que isso afeta significativamente o tamanho da dívida em relação ao PIB. "Eu acho que, em determinado momento, o câmbio vai acabar subindo de novo, até para não prejudicar o grande ajuste nas contas que foi feito no ano passado." E sua conclusão é que, com o câmbio mais alto, a inflação também sobe, ou deixa de cair. De outra parte, um câmbio mais baixo propicia o aumento das importações e reduz o ganho com as exportações. "O saldo de 20 bilhões de dólares não se perpetua ao longo de 2003, principalmente se tiver redução de juros e começo de crescimento (econômico)."Taxa de jurosSobre os juros, Selic, Levy lembrou que, no mercado futuro, as taxas já estão mais baixas do que a Selic (26,5% ao ano). Ele disse concordar que a Selic está alta demais, mas que o Banco Central ainda não está com segurança para baixá-la. Ou seja, o BC está com receio de errar e quer afirmar uma imagem de que não se dobra às pressões. De qualquer forma, o diretor da Fama Investimentos disse acreditar que a redução "vai acabar sendo mais agressiva do que teria sido na gestão passada do Banco Central". Segundo Maurício Levy, o BC não pode correr o risco de perder as oportunidades para reduzir a taxa de juros. Mas há um efeito colateral, como admitiu mais adiante: "Hoje, nós estamos sendo beneficiados por um fluxo muito forte de capitais em busca de rentabilidade. O investidor estrangeiro vem simplesmente para buscar o diferencial de juros. Qualquer chacoalhão que a economia tiver, ou um ruído na reforma, isso pode prejudicar a entrada de recursos."

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