Economista bate forte na política de juros altos

O aumento da taxa básica de juros (Selic) para 19,25% ao ano, com reflexos sobre o montante da dívida do governo, pode levar o País a um endividamento explosivo nos próximos meses. O alerta é do economista Paulo Rabello de Castro, diretor da consultoria GRC Visão. "O que acontece é que a taxa de juros afeta o custo total da dívida. Quando aumentam os juros, todos os papéis antigos vão para um nível mais elevado", disse o economista em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". "O nível do endividamento tende a ser explosivo com essa política. Isso é péssimo, porque cria um tipo de moeda remunerada que provoca, nas camadas mais ricas e mais opulentas da sociedade, um desejo de gasto."Rabello de Castro explicou que os fundos de aplicação vão crescendo e, no dia seguinte, aquela camada mais rica vai gastando mais e mais, em detrimento da grande maioria da população. Além disso, o Copom alterou a percepção de que os juros iriam baixar logo. Segundo Rabello, isso deverá trazer conseqüências futuras para o nível de emprego e renda. "Esses são os fatores fundamentais que tornam essa política de juros uma política inócua, com baixos resultados sobre a taxa de inflação." O economista classificou a decisão do Banco Central (BC) de elevar os juros de "quase um desatino", pois deverá trazer conseqüências danosas para os níveis de crescimento e emprego nos próximos meses. Rabello de Castro lembrou que a economia ainda apresenta bons resultados, reflexo de decisões tomadas no passado. "Essa boa vida que nós estamos levando pode ser rapidamente consumida pela onda de juros altos que está sendo plantada agora", ressalvou. Ele frisou ainda que a sinalização de alta na taxa de juros deverá provocar uma redução dos investimentos. "E isso não é bom para o País que, possivelmente, vai ter de enfrentar turbulências internacionais ao longo de 2005." O diretor da GRC Visão acredita que a inflação não vai cair enquanto não se atacar a indexação residual da economia, que ele considera ser o foco da persistência da inflação em níveis indesejáveis. O alto executivo também criticou o regime de metas. "É um modelo, que embora seja bem trabalhado no exterior, é importado. É um carro que funciona bem em estradas do exterior", comparou o economista. "Há uma enorme indexação residual que nós nunca mais debatemos, mas que tem que ser eliminada, se quisermos aplicar o modelo de metas de inflação de uma maneira correta."

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