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Economista Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, morre de covid-19 aos 83 anos no Rio

Lessa foi professor do Instituto de Economia da UFRJ e presidente do BNDES de 2003 a 2004

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2020 | 11h48

RIO -  O economista Carlos Lessa, professor emérito do Instituto de Economia da UFRJ e presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de 2003 a 2004, morreu, aos 83 anos, na manhã desta sexta-feira, 5, no Rio. Lessa estava internado no hospital Copa Star, e foi diagnosticado com covid-19, conforme nota do Instituto Brasilidade, fundado por Lessa. O hospital não confirmou a causa da morte. Lessa vinha enfrentando problemas respiratórios desde que teve um pneumonia ano passado, disse uma pessoa próxima.

Nascido no Rio em 1936, Lessa era um dos expoentes, no meio acadêmico, da linha teórica “desenvolvimentista” nos estudos sobre economia. Formado economista em 1959 pela então Universidade do Brasil – que daria origem à UFRJ –, no início dos anos 1960, foi professor de cursos intensivos sobre desenvolvimento econômico da Comissão de Estudos Econômicos para a América Latina (Cepal), das Nações Unidas, conforme a biografia publicada no site do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Lessa fez o doutorado no Instituto de Economia da Unicamp, defendido no fim da década de 1970. Na mesma época, começou a carreira como professor titular da UFRJ.

Paralelamente à carreira acadêmica, Lessa trabalhou em diferentes governos. Filiado histórico do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que daria origem ao PMDB e assumiria o poder federal na redemocratização dos anos 1980, o economista foi diretor do Fundo de Investimento Social (Finsocial) do BNDES entre 1985 e 1988, no governo José Sarney (1985-1990). Nesse período, foi também conselheiro do Conselho Superior de Previdência Social, de 1986 a 1989.

Após a experiência no governo Sarney, Lessa voltou à carreira acadêmica no fim dos anos 1980, com uma passagem pela Unicamp. De volta ao Rio, nos anos 1990 voltou à UFRJ e colaborou com o governo de César Maia em seu primeiro mandato como prefeito do Rio. No início de 2002, Lessa foi eleito reitor da UFRJ, cargo que ocupou até aceitar a presidência do BNDES, já no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Primeiro presidente do BNDES nos governos do PT, Lessa ficou no cargo até o fim de 2004, tendo colecionado polêmicas e embates com a parte da equipe econômica tida como “liberal”, como o Banco Central (BC).

“Lessa dedicou seis décadas à apresentação de propostas para o desenvolvimento do Brasil, que nos ofereceriam as garantias soberanas para um caminhar independente. Muitas dessas propostas foram materializadas nas muitas funções que Lessa exerceu em âmbito federal, notadamente durante o período em que presidiu o BNDES entre 2003 e 2004”, diz a nota do Instituto Brasilidade, hoje comandado por Darc Costa, que foi vice-presidente de Lessa no BNDES.

No Rio, o economista também era conhecido por sua admiração pela cultura e pela história da cidade. Lessa era dono de alguns imóveis históricos da capital fluminense, os quais se preocupava em revitalizar.

“A tristeza é enorme. Seu último ano de vida foi de muito sofrimento e provação. O legado que ele deixou não foi pequeno. Foi um exemplo de amor incondicional pelo Brasil, coerência e honestidade intelectual, espirito público, um professor como poucos e uma alma generosa que sempre ajudou a todos que podia quando estava a seu alcance, um grande amigo. Que descanse em paz. Aos que tem afeição por ele comunicaremos uma cerimonia virtual em função da pandemia”, escreveu um de seus filhos, o músico Rodrigo Ribeiro Lessa, integrante do grupo de choro Nó em Pingo d’Água, em postagem numa rede social.

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