Economista critica indexação de tarifas e serviços públicos

O economista Paulo Nogueira Batista, da FGV-SP criticou a forma como foram negociados os reajustes durante as privatizações no governo passado. "O que está acontecendo na área e tarifas e de preços públicos é o resultado da forma como foram negociados os contratos na época das privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso", lembrou Nogueira Batista. Durante entrevista no programa Conta Corrente, da Globo News, o economista ressaltou que a alta da inflação registrada pelo IPCA (0,91% no mês de julho) ficou concentrada em poucos produtos, exatamente aqueles monitorados ou ajustados por contratos. "Aceitou-se um regime de indexação de preços públicos bastante oneroso, que hoje sobrecarrega os consumidores e sobrecarrega os índices de inflação."Juro fora do padrãoEle lamentou a provável estabilidade da taxa básica de juros no atual patamar de 16% até o final do ano. Segundo o economista, apesar de algumas reduções ocorridas de um ano para cá a taxa e juros no Brasil ainda é excessivamente alta, onerando as finanças do governo ao aumentar o custo da dívida interna. "Seria muito importante que o Brasil pudesse praticar taxas de juros gradualmente menores ao longo deste semestre e no ano que vem", exortou. "Por que a nossa taxa de juro básica tem que ser três ou quatro vezes mais alta do que as médias de outros mercados emergentes", indagou. "É possível que dentro de alguns meses se consiga começar de novo a reduzir, paulatinamente, a taxa de juros para que o Brasil se aproxime um pouco mais dos padrões de comportamento no mundo."República de BananasPara o economista da FGV, apesar do momento favorável da economia brasileira, o Brasil deve se manter atento ao crescimento da taxa de juros americanos e também aos enormes déficits que aquele país tem apresentado sistematicamente. "A alta na taxa de juros nos Estados Unidos, se for gradual, como vem sendo, não vai causar grandes preocupações, nem vai afetar muito o Brasil", ressalvou Nogueira Batista. "O problema é que há certas dificuldades de fundo na economia americana, que são os enormes déficits que a economia deles tem nas contas externas e nas contas públicas. Os indicadores dos Estados Unidos nessas áreas são indicadores dignos de República de Bananas."

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