Lucas Lacaz Ruiz/Estadão
Lucas Lacaz Ruiz/Estadão

Economista de 37 anos assume IBGE

Formada em Harvard e integrante da equipe de economia do Banco Mundial, Susana Guerra será a mais jovem presidente do instituto

Renata Agostini e Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2019 | 21h35

RIO - Aos 37 anos, a economista Susana Cordeiro Guerra será a mais jovem presidente da história do IBGE. Ela substituirá Roberto Olinto, funcionário de carreira do instituto desde 1980. A confirmação de seu nome veio nesta sexta-feira, 8, após o ministro da Economia, Paulo Guedes, incluir uma reunião com ela em sua agenda no Rio de Janeiro e encerrou semanas de especulações dentro do IBGE sobre o comando do órgão no governo Bolsonaro.

Susana, que se formou em Harvard e fez doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), trabalhava como economista do Banco Mundial e morava em Washington, nos Estados Unidos. Mas o retorno ao Rio, onde fica a sede do IBGE, não será estranho a ela, que é carioca e viveu boa parte da vida na cidade.

Ela chegou ao comando do IBGE por intermédio da filha de Paulo Guedes, de quem é amiga há anos. Sua indicação foi reforçada ainda por Carlos von Doellinger, que será presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), onde Susana atuou como pesquisadora.

Antes de Susana, o presidente mais novo do instituto havia sido Edson Nunes, que assumiu o órgão aos 39 anos, em 1986. O nome da economista já era dado como certo por fontes da equipe econômica, mas dentro do IBGE ainda havia dúvida sobre a troca, já que Olinto chegou a ser convidado pelo secretário de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, a permanecer no posto.

Susana assume o IBGE com o desafio de garantir a realização do Censo Demográfico 2020, que já está em preparação, mas segue sob risco de postergação. O custo total do Censo foi calculado em R$ 3,4 bilhões. O governo Michel Temer já havia liberado menos dinheiro do que o previsto em 2018 e concedido menos recursos para investimento em equipamentos e software do que o instituto havia pleiteado para 2019. A estimativa é que serão necessários R$ 3 bilhões para viabilizar a coleta em 2020.

O órgão também pede a contratação de funcionários que percorrerão os domicílios brasileiros. Mas, em dezembro do ano passado, a solicitação de 1.800 vagas para essa função foi negada pelo então Ministério do Planejamento, informou na sexta-feira o IBGE, em nota. Este ano, o instituto já perdeu 58 cargos de direção.

Sangue novo

À confirmação de Susana soma-se a chegada de novos integrantes da equipe econômica egressos do mercado financeiro. O time de privatizações receberá reforço de Gustavo Montezano, que, como Susana, retorna ao Brasil para integrar o governo Bolsonaro. Engenheiro mecânico pelo Instituto Militar de Engenharia com mestrado em economia pela IBMEC, ele assumirá o posto de secretário adjunto de Desestatização, trabalhando diretamente com Salim Mattar. Montezano, de 38 anos, foi sócio do BTG Pactual e trabalhava em Londres na ECTP (Ex- BTG Pactual Commodities).

A assessoria especial do gabinete do ministro ganha o acréscimo do economista Samuel Kinoshita, que estava na gestora de fundos Kapitalo Investimentos. Mestre em estatística pela Columbia University, ele já havia trabalhado com Guedes na Bozano Investimentos.

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