Economista discorda de diagnóstico de Lula na IS

O economista Nelson Barrizelli, professor da Universidade de São Paulo, ao analisar no programa Conta Corrente, da Globo News, o discurso de ontem de Luiz Inácio Lula da Silva no encontro da Internacional Socialista, em São Paulo, disse que o presidente procurou demonstrar as dificuldades e os problemas enfrentados pelo País, mas "infelizmente com um diagnóstico errado". Para o economista, o Brasil não está na situação atual em razão das barreiras protecionistas de países desenvolvidos, que dificultam as nossas exportações. "Evidentemente que este protecionismo existe; é evidente que, num determinado momento, nós escancaramos o País para o comércio exterior, mas essa não é a origem dos nossos problemas."Segundo Barrizeli, tudo começou na década dos anos 80, durante o governo do general Ernesto Geisel, quando o País estava em condições de transformar o grande desenvolvimento ocorrido em crescimento sustentado da economia. "Infelizmente, o governo se tornou grande demais, não conseguiu com as suas receitas estancar as despesas, a Nação se endividou e, hoje, o grande problema que temos pela frente é a dívida interna, que está dificultando todo o processo brasileiro".O real e as exportaçõesPara o economista, o grande superávit obtido pelo País nos últimos meses dificilmente será mantido, diante da suipervalorização da moeda brasileira está hoje supervalorizada. "Nós deveríamos estar com um nível de dólar real em torno de 3,10, 3,20 reais; nós estamos aí na casa dos 2,90. Para se ter uma idéia, um grande número de exportadores, que se deram muito bem nesse período, já estão com margens de contribuição (no resultado da balança comercial) menores do que a metade do que tinham no início do ano. E certamente terão algumas dificuldades para fechar novos contratos, tendo em vista os próximos 12 meses."O problema fundamentalBarrizelli insistiu em que o problema fundamental do Brasil sempre foi, e continua sendo, a dívida interna. "A grande vulnerabilidade externa sempre veio da necessidade de o País fechar suas contas. E para fechar as contas, você tem duas maneiras: recorrer ao capital especulativo, ou ter superávits comerciais e investimento produtivos." Explicou que, anteriormente, o País fechou suas contas com o capital especulativo, por não ser atrativo para capitais produtivos em larga escala e tampouco possuir superávit comercial. "Nós temos superávit, neste momento, e certamente se conseguíssemos equacionar os gastos do governo e ter menos Estado, de tal maneira que a dívida interna fosse decrescendo em relação ao PIB, nós certamente conseguiríamos um crescimento sustentado nos próximos anos."

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