finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Economista diz que alta de juro prejudica crescimento

O economista da Unicamp, Ricardo Carneiro, desaprova uma possível elevação da taxa básica de juros para conter a inflação. "Eu acho que a subida da taxa de juros agora pode comprometer a retomada do crescimento pelo Brasil", frisou ele durante entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News. "Eu acho que a inflação no Brasil tem de ser tratada de outra forma", sugeriu. Embora concorde que a inflação é um problema sério que não pode ser minimizado. "Mas não se pode converter uma política anti-inflacionária numa política anti-crescimento."Ele sugere que, alternativamente, se busque outras formas de combate à inflação antes de se pensar em subir os juros: "Nós podemos ter um acordo entre trabalhadores e empresários que troque mais emprego, eventualmente até por menos salário", propôs o professor da Unicamp. "Não podemos correr o risco de abortar o processo de crescimento brasileiro por falta de iniciativas que possam equacionar o problema da inflação de outra forma."Exportações de vento em popaRicardo Carneiro avalia que o crescimento da economia brasileira vem sendo puxado pelas exportações, que nos últimos três anos têm crescido a uma taxa de 25% ao ano. Ele estima que essa evolução só pode ser comparada com o que ocorreu durante o período do milagre econômico nos anos 70. "Isso (o crescimento das exportações) espalhou o crescimento fora das áreas metropolitanas", desconcentrando a atividade econômica dos grandes centros.DesaceleraçãoNo entanto, na visão do economista, dificilmente as exportações repetirão esse desempenho nos próximos anos. "A exportação agora atingiu um patamar em que é difícil atingir taxas tão elevadas (de crescimento)", ponderou Carneiro. Outro motivo seria uma certa desaceleração do comércio internacional, além do fato de que a economia brasileira já está crescendo mais do que a média internacional. E advertiu: "É preciso pensar nos gargalos do crescimento", lembrou. "Nós temos o gargalo da infra-estrutura e temos o gargalo da grande empresa produtora de insumos básicos."Upgrade da Moody´sO professor da Unicamp falou ainda sobre a reclassificação do Brasil pela empresa de classificação norte-americana. "Eu acho que isso, de certa forma era esperado, porque se teve uma melhoria muito grande das exportações que se aqueceram muito rápido nos últimos dois anos e meio", explicou. O economista disse que a reclassificação do Brasil melhorou a condição de pagamento de médio e longo prazos do País. "Eu acho que a classificação de risco faz justiça a essa melhora de exportação e da relação exportação/serviço da dívida."

Agencia Estado,

10 de setembro de 2004 | 08h41

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.