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Economista diz que Brasil deveria se afastar da Argentina

O economista-chefe para Mercados Emergentes do ABN-Amro Bank, Arturo Porzecanski, sugeriu que o Brasil reavalie a relação privilegiada que mantém com o principal parceiro do Mercosul. "A minha impressão é de que o governo brasileiro está errando ao dar tanta prioridade à relação com a Argentina", afirmou o economista, que trabalha em Nova York, junto aos principais bancos credores de países latinoamaericanos . "Na verdade, seria muito melhor para os negócios brasileiros o governo Lula se distanciar da Argentina e ficar bem mais perto da Europa, da Ásia e dos Estados Unidos?, disse ao programa Globo News Painel.O economista ponderou que a Argentina tem muito mais a ganhar na relação entre os dois países do que o Brasil, que segundo ele, acaba tendo a sua imagem prejudicada pela proximidade com o país vizinho que se encontra em moratória. "Obviamente, todo mundo olha quem são os seus amigos. Eu diria que o governo Lula poderia ter portas bem mais abertas no resto do mundo se ele se distanciasse da Argentina", previu Porzecanski. "A impressão dos investidores estrangeiros é de que o Brasil está jogando numa divisão diferente da Argentina, ele está jogando na divisão das grandes potências."Relação Sul-SulO economista do Amro Bank foi mais além e salientou que o Brasil estaria perdendo tempo em investir no fortalecimento dos laços com a Argentina para depois negociar com o resto do mundo. "É uma grande perda de tempo", frisou. "O Brasil teria de utilizar toda essa energia e tempo para abrir os grandes mercados", prosseguiu. Ele enfatizou que seria falsa a premissa de que unido com a Argentina o Brasil teria mais força para negociar com outros países. "O Brasil tem de negociar com o Norte e não com o Sul (...) É melhor deixar a Argentina de lado e passar a jogar na primeira divisão do comércio e da geopolítica internacional. "Embaixador vê Mercosul como a primeira paradaJá para o diplomata Marcos Azambuja, que já foi embaixador brasileiro em Buenos Aires, o Brasil não deve dar prioridade a nenhum país em detrimento de outros. "O mundo é a nossa prioridade", disse ele no Canal Livre, da Rede Bandeirantes. "Nós somos um `global player´ e quem o é tem de ter fichas em todos os salões", comparou. Ele disse que o Mercosul, até pela geografia, é a "primeira parada", mas tem os limites no tamanho do poder de seus atores. "O Mercosul para mim é o primeiro lugar em que parar, é onde o Brasil aprende, em escala limitada, o convívio com a modernidade, com a globalização."Relação íntimaO embaixador lembrou que Brasil e Argentina atingiram um estágio de integração, inclusive física, que torna difícil se imaginar um conflito maior entre os dois vizinhos. "Não há entre nós mais espaço para uma ruptura que não leve, depois de algum tipo de barulho, ao entendimento", referindo-se à integração existente através de pontes, gasoduto, oleoduto e integração elétrica. E relembrou o período como embaixador do Brasil: "O embaixador brasileiro lá é um ator da vida política doméstica da Argentina. Nós temos essa intimidade."

Agencia Estado,

20 de setembro de 2004 | 07h40

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