Economista diz que decisão foi 'incoerente'

Para economista-chefe da corretora Icap Brasil, Inês Filipa, decisão contraria os próprios alertas do Banco Central sobre ciclo da expansão econômica

, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2010 | 00h00

A decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) surpreendeu analistas do mercado financeiro, que esperavam um aumento maior da taxa básica de juros, de 0,75 pontos porcentuais. Apenas sete economistas, de um total de 64 consultados pela Agência Estado, mudaram em cima da hora a previsão de ajuste para 0,50 ponto porcentual e acabaram acertando o resultado.

A economista-chefe da corretora Icap Brasil, Inês Filipa, afirmou que se surpreendeu com o resultado do Copom. Para ela, o resultado não foi coerente com os documentos da própria autoridade monetária, que alertaram o mercado financeiro para o risco que a expansão da economia poderia trazer para o cumprimento das metas de inflação.

Inês Filipa fazia parte da corrente majoritária de economistas do mercado financeiro que aguardavam um novo aumento de 0,75 ponto para a Selic, já que, apesar da melhora no cenário de inflação, ainda via riscos de o aquecimento da economia prejudicar a inflação no médio e longo prazos.

"O Banco Central não foi coerente com as últimas atas, onde se mostrava bastante preocupado e avaliava um novo ciclo de expansão da economia", disse. "É óbvio que o BC pode mudar de opinião, mas não tão rapidamente entre uma e outra reunião de Copom", comentou. "Em 45 dias desde a última reunião, podemos até ter uma sinalização de um cenário mais benigno de inflação e até de desempenho mais fraco da economia, mas não uma confirmação deste cenário".

Analistas. O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, ao contrário de Inês Filipa, achou que o resultado do Copom está em sintonia com a evolução recente dos indicadores econômicos do País. Campos Neto fazia parte da corrente minoritária do mercado financeiro que aguardava um aumento menos intenso que o de 0,75 ponto porcentual das duas reuniões anteriores do Copom. "Manter a mesma decisão seria não assumir a mudança que houve nos indicadores", afirmou.

Para Campos Neto, chamou a atenção a opção unânime da diretoria do Banco Central. "Um momento delicado como atual não é a hora de passar uma mensagem de dissenso".

O economista do fundo M. Safra Marcelo Fonseca, afirmou que os dados de atividade e inflação são "inegavelmente benignos para o cenário da inflação".

Reclamações. O presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João Guilherme Sabino Ometto, repudiou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). "O Brasil não pode continuar entre os campeões mundiais de maiores taxas de juros", reclamou em nota oficial.

"A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) não podem concordar com a política equivocada de elevação da taxa Selic simplesmente para que as expectativas de mercado não sejam contrariadas", criticou.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em tom mais ameno que a Fiesp, considerou positivo o porcentual inferior ao da última reunião do Copom. Em nota, o presidente em exercício da entidade, Robson Andrade, disse ver "com algum alento" a decisão de reduzir o ritmo de aperto monetário. Para ele, é desnecessário manter o processo de elevação dos juros, pelo cenário de arrefecimento da atividade econômica.

Os últimos indicadores, lembra Andrade, apontam nítida desaceleração no ritmo de expansão econômica, principalmente na produção industrial que, nos últimos dois meses, interrompeu o crescimento.

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