Economista do Bear Stearns errou no México

O economista-chefe internacional do banco Bear Stearns, David Malpass, que aparece hoje em praticamente todos os jornais alertando que o Brasil está à beira um calote inevitável, não é exatamente conhecido pelos acertos de suas previsões sobre países emergentes. No dia 21 de abril de 1994, já no Bear Stearns, Malpass redigiu um conhecido relatório aos clientes intitulado "20 razões pelas quais o México não desvalorizará o peso". Afirmava, categoricamente, que o governo mexicano não queria a desvalorização - o que era verdade -, não poderia desvalorizar e não poderia ser forçado a uma desvalorização da moeda. Citava entre os motivos a boa situação das finanças do governo mexicano, o elevado nível das reservas internacionais em relação à base monetária, segundo ele suficientes para defender o peso, a violação da Constituição mexicana no caso de uma desvalorização e ainda, entre outros, o suicídio político que tal movimento provocaria sobre a presidência de Raul Salinas. No final de 1994, com a intensificação da fuga de capitais de curto prazo no México - em nove dias, nada menos que US$ 8 bilhões deixaram o País - o governo desvalorizou o peso, provocando uma das primeiras crises financeiras por contágio entre os mercados emergentes, conhecida como "efeito tequila". Sua previsão sobre o calote no Brasil, dita ontem em teleconferência com investidores, provocou indignação entre economistas dos bancos no mercado doméstico. "É o que chamamos de ´curiosos´ sobre o Brasil", disse um deles.

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