Economista do Fundo defende ajuda à Grécia

Se "algo ruim" ocorrer na Grécia, certamente haverá pressão sobre os outros países que receberam ajuda do Fundo Monetário Internacional (Irlanda e Portugal), poderá haver contágio para outros países europeus, como Espanha e Itália, e haverá alguns efeitos sobre bancos do Leste Europeu e na Europa em geral.

Andréia Lago e Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2011 | 00h00

O alerta é do economista-chefe e diretor do Departamento de Pesquisas do FMI, Olivier Blanchard. Em entrevista exclusiva à Agência Estado, em São Paulo, Blanchard defendeu a ajuda externa à Grécia para que o país possa superar a crise de dívida. "O ajuste vai levar muito tempo e exigirá muitos esforços. Ao mesmo tempo, eles (os gregos) não podem fazer isso sozinhos."

Sem fornecer um número para a declaração do primeiro-ministro grego, George Papandreou, de que o novo empréstimo do FMI e União Europeia ao país "será enorme", Blanchard admitiu que o volume necessário não poderá ser modesto. "Quando falamos de financiamento, é enorme, porque estamos falando de credores oficiais e credores privados", reconheceu. "A Grécia precisa de muito financiamento por um prazo muito longo, de uma forma ou de outra, e esses são os fatos."

Cauteloso, Blanchard afirmou que o Fundo não tem uma posição sobre a questão da rolagem da dívida grega neste momento. "Isso envolve negociações e estamos tentando ver o que é melhor", disse ele. Segundo Blanchard, há dois pontos cruciais para o FMI nessas negociações. O primeiro é que o financiamento precisa ser disponibilizado porque, se não houver recursos oficiais, os credores precisarão de ajuda; e o segundo está ligado à sustentabilidade da dívida, ou seja, se a dívida tornar-se muito grande a ponto de ser improvável que seja paga, não é um programa aceitável para o FMI.

Contágio. Blanchard alertou que há um risco na Grécia e isso terá efeitos na economia global. "Haverá efeitos e eles poderão ser contidos, mas isso vai depender um pouco do que vier a acontecer." Ele acredita, no entanto, que essa será, essencialmente, uma crise na Europa. "Haverá alguns efeitos no resto do mundo, mas, se houver algo catastrófico o risco para o mundo em geral não é assim tão elevado."

Blanchard afirmou que vai levar muito tempo para que a economia da Grécia volte a ser saudável. "O país não tem apenas um problema fiscal, mas também um problema de competitividade. Eles têm uma taxa de câmbio fixa, então o ajuste vai levar muito tempo e exigirá muitos esforços. Vai levar uma década ou mais", previu.

Segundo ele, a próxima revisão do acordo atual da Grécia com o FMI faz parte dos procedimentos da instituição e para ser aprovada a liberação da próxima parcela do empréstimo é preciso haver certeza sobre a implementação das medidas necessárias.

Ele lembrou que isso já aconteceu em 2010, quando o governo aprovou uma série de medidas, "mas agora ele precisa convencer seu Parlamento e há incertezas quanto a isso".

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