Economista do Ipea projeta inflação próxima de 6% neste ano

Após constrangimento na quinta-feira, especialista do Instituto fala sobre previsões para a economia

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

27 de junho de 2008 | 13h00

A especialista em inflação do Grupo de Análises e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Andréia Parente, disse nesta sexta-feira, 27, à Agência Estado que a projeção dela para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano "é uma coisa mais próxima de 6%, dentro da banda da meta de inflação e não é nada catastrófica". De acordo com ela, "não dá para esperar desaceleração grande" da inflação. Veja também:Ipea veta divulgação de projeçõesInflação pelo IGP-M acumula alta de 13,44% em 12 meses Entenda os principais índices de inflação   Na quinta, o Ipea rompeu uma tradição de mais de duas décadas de divulgar projeções trimestrais para os principais indicadores da conjuntura econômica e divulgou a Carta de Conjuntura sem atualizar as últimas, realizadas em março e que, no caso da inflação, era de um IPCA entre 4% e 5% para 2008. Ela comentou que o IGP-M que saiu nesta sexta "veio forte" e é mais um indicador na direção de que o IPCA no ano não vai apresentar desaceleração. Andréia passou por um constrangimento na quinta-feira. O coordenador do Grupo de Análises e Previsões (GAP) que fez a apresentação aos jornalistas, Miguel Bruno, não soube explicar como os dados que estava apresentando, preparados por Andréia, como o IPCA acumulado em 12 meses até maio em 5,58% e tendência de alta, eram compatíveis com a previsão de março para o IPCA de no máximo 5% este ano, que, segundo ele informou inicialmente, estava mantida. Bruno pediu que Andréia explicasse. Ela arregalou os olhos e afirmou que "é óbvio" que a projeção já não estava valendo, assim como a da Selic, que era de 13,25% em março. Nesta sexta, ela contemporizou que "mais importante que a projeção é a análise". Ela lembrou que, depois, quando o diretor de Estudos Macroeconômicos, João Sicsú, desceu para dar entrevista, esclareceu a posição do Ipea de que agora as projeções serão feitas uma vez por ano e só serão revistas quando os indicadores acumulados no ano ultrapassarem as projeções. "Eu sei que estão fazendo uma nota técnica para rever a projeção do déficit em conta corrente", disse Andréia à Agência Estado. O déficit em conta corrente acumulado em 2008 até maio, segundo o Banco Central, está em US$ 14,7 bilhões, já acima do projetado pelo Ipea em março, que era de um valor de US$ 11,5 bilhões. A projeção do Ipea era próxima a do Banco Central, que era de US$ 12 bilhões e foi revista para US$ 21 bilhões.

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