Economista do Ipea sugere desvincular mínimo da Previdência

"A solução mais apropriada para que o salário mínimo possa ter reajustes reais, seria o governo desvincular o mínimo da Previdência." A sugestão foi feita ontem pelo economista do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Fábio Giambiagi, durante entrevista ao programa Conta Corrente, da "Globo News". Segundo ele, o mercado de trabalho teria condições de absorver uma regra fixando aumentos reais de 5% ao ano, durante dez anos, para o salário mínimo. "Seria uma coisa exeqüível e compatível com o mercado de trabalho", afirmou o economista do Ipea. "Implicaria elevar a base sem afetar demasiadamente a questão da informalidade." Ele alertou porém que se um reajuste do salário mínimo com este porcentual for repassado para a Previdência, isso irá onerar ainda mais o INSS. Giambiagi lembrou que o gasto com aposentadorias e pensões triplicou desde a Constituição de 1988. "Se as regras não mudarem, daqui para a frente a tendência é que isso (déficit previdenciário) poderá piorar, em virtude do envelhecimento gradativo da população", previu. O economista aprovou a decisão anunciada de que o Tesouro Nacional vai comprar quase US$ 3 bilhões para pagar parcelas da dívida externa que vencem até a metade do próximo ano. "É a peça que faltava no desenho da instrumentação de medidas macroeconômicas do governo", explicou Giambiagi. "Eu acho que, no geral, a condução da política econômica era adequada para as circunstâncias, mas havia um certo desconforto pelo fato não se aproveitar as circunstâncias para se acumular as reservas. Hoje essa lacuna foi preenchida."

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