Economista dos EUA não vê motivos para pânico

Não há razões para preocupação exagerada com a saúde da economia norte-americana, na opinião de Gail Fosler, economista-chefe do Conference Board, entidade que elabora os índices de confiança do consumidor e de indicadores antecedentes para a economia dos Estados Unidos. "Chega a haver um certo pânico em relação à economia, que não é justificado. Como em 1999 e 2000, quando as pessoas faziam somente uma leitura positiva de todos os comentários feitos por autoridades, agora as pessoas também só fazem uma leitura negativa de qualquer comentário", afirmou Fosler à Agência Estado.Na quinta-feira, o mercado foi fortemente afetado pelas declarações do presidente do Federal Reserve (Fed - o Banco Central dos EUA), Alan Greenspan, sobre a situação da economia norte-americana. "A economia deverá surpreender e mostrar um crescimento sólido neste segundo semestre", ressaltou.Ela estima que o PIB dos EUA deverá crescer 2,6% no terceiro trimestre e 4% no quarto trimestre. Em todo 2002, o crescimento da economia deverá ficar em 3,2%. "Acho a probabilidade de ocorrer um ´double dip´ (dupla recessão) praticamente inexistente", disse Fosler. Segundo ela, há uma série de fatores que está sustentando a atividade econômica dos Estados Unidos neste momento."Os gastos dos consumidores continuam num ritmo bastante satisfatório (cresceram 3% no segundo trimestre), os investimentos das empresas começam a se mover para um território positivo (as ordens de bens duráveis em julho cresceram quase 9% ao ano), e há uma melhora no setor de semicondutores", disse Fosler. "Acontece que as pessoas exigem evidências irrefutáveis de recuperação, como todos os indicadores positivos e nenhum negativo. Não é assim que acontece no início de uma recuperação econômica. Há indicadores positivos e negativos, porém com os positivos superando os negativos, pois estamos numa fase de recuperação da atividade. Mas não é possível haver todos os indicadores positivos num estágio como este",A economista do Conference Board não acredita que o fraco desempenho das bolsas de valores norte-americanas irá afetar a recuperação em curso. "O mercado acionário tem, neste momento, um impacto maior sobre os investimentos das empresas do que sobre os gastos dos consumidores", afirmou. Fosler ressalta que cerca de 22% de todas as ações negociadas em bolsas estão nas mãos de fundos de pensão. "E os fundos de pensão representam um passivo para as empresas e não para os consumidores", disse. "Certamente as pessoas aplicam em planos de aposentadoria e não se sentem tão ricas quanto há um ano e meio, mas toda a década de 90 criou uma riqueza grande para as pessoas", disse.Ela acredita que o déficit comercial dos Estados Unidos é um sintoma dos problemas da economia mundial e não propriamente da economia norte-americana. O crescente déficit de conta corrente dos Estados Unidos, que atingiu US$ 130 bilhões no segundo trimestre deste ano, é um risco muito maior para as economias de outros países do que para a economia norte-americana. De toda a maneira, a queda das bolsas de valores vai tornar a recuperação por parte das empresas será mais lenta.Em relação ao impacto de uma eventual guerra contra o Iraque, Fosler acredita que as avaliações sobre esse impacto também foram exageradas. "Ninguém tem uma idéia clara de como será a configuração desse conflito militar, mas não acredito que seja algo como a Guerra do Golfo, que durou seis meses e exigiu uma grande mobilização de pessoal e armas e suprimentos", disse. "É preciso equacionar o impacto que haverá sobre o preço do petróleo, mas não vejo cortes nos suprimentos de petróleo pelos produtores árabes".

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