Economista elogia perspicácia do BC

O diretor da Fama Investimentos, Maurício Levy, elogiou o que ele chama de "perspicácia" do Banco Central ao antecipar uma pressão por aumentos no atacado por parte do setor industrial. "Eu acho que o BC foi muito perspicaz ao perceber que havia uma pressão por aumento de preços industriais que, eventualmente, poderia chegar ao varejo", afirmou o economista ao Conta Corrente, da Globo News. O diretor da Fama Investimentos adverte que há uma pressão por aumentos de preços que não pode ser repassada ao consumidor. "Há uma alta de preços que fica evidente até pela leitura de jornais e pela grande alta nas commodities. Há uma pressão de custos, sim, que se não for controlada agora vai ser repassada ao consumidor mais à frente." Surto inflacionárioO economista adverte que, embora a atividade econômica esteja em ritmo lento, o eventual repasse dos aumentos poderá provocar um surto inflacionário. "Esse aumento na educação e em alimentos é sazonal, mas há um componente de aumento de preços industriais que não pode ser sancionado e repassado aos preços", salientou Levy.Alta do dólar não preocupaMaurício Levy avaliou ainda o impacto do recente aumento do dólar nos preços dos produtos. "Eu não acredito que essa alta do dólar deva ter muita repercussão", salientou. "A queda do dólar até R$ 2,82 não foi embutida nos preços porque ninguém acreditava que esse patamar seria sustentável. Então uma alta do dólar até R$ 3,00 ou R$ 3,10 está dentro de uma faixa que pode ser absorvida sem repasse para a inflação."Economia cresce 3% a 4%Um eventual aumento dos juros nos Estados Unidos não deve afetar o crescimento da economia brasileira este ano que, segundo Levy, deverá se situar entre 3% e 4%. "Há uma conjugação de fatores que está ajudando o Brasil a aumentar as exportações e que garantirão o crescimento". É o caso do elevado patamar nos preços das commodities e da alta liquidez no mercado internacional.Ele avalia, porém, que pode haver uma redução do fluxo de investimentos para os países emergentes. "Se a correção dos juros americanos for muito abrupta, o fluxo de capitais para os países emergentes pode secar muito rapidamente", sustentou. Mesmo assim, Levy avalia que os reflexos só seriam sentidos mais adiante: "Dependendo de quando subir a taxa de juros lá fora, o crescimento só será afetado possivelmente ao final deste ano ou em 2005".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.