Economista espera queda da Selic e juros efetivos em agosto

As condições necessárias para a redução da taxa básica e dos juros efetivos cobrados pelo mercado nas operações de crédito direto ao consumidor (CDC) e empréstimos pessoais deverão estar reunidas a partir de agosto, na opinião professor de economia da PUC-RJ, Luiz Roberto Cunha. Ele declara ter achado importante as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que na sexta-feira criticou a disparidade entre as taxas de juros cobradas pelo mercado, tomando por base a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 26,5% ao ano, e da inflação, que dependendo do indicador acumula alta de 32% em 12 meses. Os juros para empréstimo pessoal estão em 92% ao ano e cheque especial cobra, em média, 209% ao ano. O problema, diz Cunha, é que, enquanto não houver a consolidação da confiança do mercado interno e externo na condução da política econômica do Brasil, os agentes não mostrarão disposição para reduzir a taxa de juros. "Isso é um processo que demora. No entanto, acredito que a partir de agosto já poderemos reunir as condições necessárias para que haja uma redução nas taxas de juros", afirma Cunha, acrescentando que em agosto, com um cenário mais claro sobre as reformas, os agentes financeiros poderão passar a depositar um grau maior de confiança na economia do País. De acordo com ele, se não fosse a falta de confiança dos agentes econômicos na economia brasileira, mesmo com a permanência da taxa Selic no atual patamar de 26,5% ao ano, as taxas de juros de mercado já poderiam estar bem abaixo do nível em que se encontram atualmente. "Não é só a queda da Selic que vai resolver este problema", afirma o economista. Inadimplência afeta custoAlém das reformas em curso, Cunha acredita que um outro ponto que deverá contribuir significativamente para o início do processo de redução dos juros será a aprovação da Lei de Falências. "Hoje a Lei de Falências dá força a quem está devendo. Por isso as instituições acabam incorporando nos preços, em forma de juros, a taxa risco. Ou seja, o bom pagador acaba sendo penalizado pelo inadimplente", afirma o professor da PUC-RJ. O economista lembra que o único setor que trabalha com taxas de juros baixas é o de automóveis, que por ser o bem a própria garantia, facilita na retomada no caso de inadimplência, o que por sua vez permite práticas de juros menores que os cobrados pelo varejo de eletrodomésticos, por exemplo.

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