Economista explica juros mais baixos do México

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, num encontro em São Paulo com seu colega mexicano, manifestou sua inveja pelos juros básicos cobrados naquele país (6,2% em média no ano passado, caminhando para um patamar entre 3% e 4%, semelhante à maioria das nações desenvolvidas). Ao comentar o fato, em entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News, o economista José Márcio Camargo, professor da PUC-RJ e integrante da Tendências Consultoria Integrada, deu a explicação. É que o México fez o dever de casa, como por exemplo, tem um banco central autônomo, tem uma relação dívida-PIB de 30% (enquanto aqui é de 59%), sua relação dívida-exportação é muito menor também e, finalmente, assinou um acordo de livre comércio com os Estados Unidos e Canadá (o Nafta), enquanto o Brasil resiste a fazê-lo, no âmbito da Alca. "Em suma, o México tem condições de ter uma taxa de juros de 6%, e o Brasil, infelizmente, não tem. Se conseguirmos fazer o nosso dever de casa, nós chegaremos lá."Próximo CopomO economista arriscou o palpite de que, em sua reunião da próxima semana, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (o Copom) não deverá promover uma redução na taxa básica de juros (a Selic), atualmente em 16,5% ao ano. Mas acrescentou que não ficaria excessivamente surpreso se a taxa caísse 0,25%, já que tal decisão não criaria nenhum problema de credibilidade para o Banco Central, como chegaram a analisar alguns economistas. Para Camargo, há sinais consistentes de que a inflação está sob controle, com os índices de fevereiro mostrando uma queda substancial na taxa, com o real também se valorizando em relação ao dólar e com o prêmio de risco Brasil voltando a cair. Aliás, em sua avaliação, a moeda americana ainda está sobrevalorizada em relação à brasileira.

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