Economista pede cautela com PPP

O diretor da Fama Investimentos, Maurício Levy, pede cuidado na aprovação do projeto das Parcerias Público-Privadas (PPP), bem como na aplicação de dinheiro público até que as parcerias se concretizam. "As regras das PPPs têm que ser muito cuidadosamente elaboradas para que não haja problema de desvio, de corrupção e de obras inacabadas", alertou o economista. Ele lembrou que, apesar da necessidade de investimentos, há um longo histórico de recursos dos contribuintes aplicados de forma descuidada: "É comum, ao viajar pelo País se ver ponte que liga nada a lugar nenhum", exemplificou. Apesar de ter pedido cautela na aprovação da PPP, Maurício Levy concorda com a urgência de o País investir em infra-estrutura. Ele destacou as questões de logísticas dos portos e estradas brasileiros. "Se não tiver investimento urgente em infra-estrutura o Brasil não consegue crescer", sentenciou. Levy frisou que a falta de planejamento e de investimentos de longo prazo é um dos complicadores para a evolução do PIB brasileiro nos últimos anos, levando o País volta e meia para o eterno "stop and go": "Cada vez que a economia dá um surto de crescimento, ela tem de parar para se ajustar." BNDES usa base inadequada Levy criticou ainda as declarações do presidente do BNDES, Carlos Lessa, sobre o crescimento dos investimentos do banco estatal neste ano. Respondendo às críticas do ministro do Desenvolvimento Luis Fernando Furlan sobre a demora na liberação de investimentos, Lessa afirmou que houve um crescimento de mais de 30% nos financiamentos aprovados em relação ao ano passado. Segundo Levy, o banco usa uma base muito pequena ao comparar o desempenho deste ano com 2003, ano em que o BNDES ficou praticamente parado durante seis meses por conta da troca da diretoria. "O ministro Furlan tem total razão de cobrar um aumento de investimentos." Inflação preocupa Maurício Levy destaca que o Banco Central tem razão em se preocupar com a evolução dos índices de inflação, sinalizando com a possibilidade de uma eventual elevação da taxa básica de juros. "A inflação preocupa sim", concordou o economista. Porém, ele não prevê que efetivamente ocorra um aumento dos juros até o final do ano: "Não acredito que haja aumento da taxa Selic, mas que o Banco Central vai tentar frear um pouco as expectativas."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.