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Economista prevê 2003 medíocre, com nova ajuda do FMI

O cenário traçado pelo assessor econômico do banco BBA, Edmar Bacha, prevê que 2003 será "medíocre" para o Brasil, com a necessidade de um novo acordo com o FMI. Partindo de dois pressupostos ruins, de que as linhas de crédito externo não retornarão e de que a inflação disparou, o economista diz que, em 2003, o crescimento da economia será de 0,5%, o IPCA baterá em 13,5%, e o câmbio no final do período chegará a R$ 4,00, com juros médios de 20,9%.Mesmo com o pressuposto de que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva seja "tão bom quanto (Antônio) Palocci sinaliza", Bacha está pessimista, prevendo que a nova equipe terá de ser dura no combate à inflação, que ele afirmar ser "ameaçadora". "Vai ser um ano difícil e de teste. Passado o teste, vamos nadar de braçada."Ao listar essas projeções para 2003, Bacha parte de um cenário em que os nomes indicados por Lula para a equipe econômica, particularmente o Banco Central, serão bem aceitos pelo mercado e adotarão políticas condizentes com as atuais políticas fiscal e monetária. Ele prevê um superávit primário de 4% para 2003, com a relação dívida líquida do setor público em 56,8% do PIB.No cenário internacional, o assessor econômico do banco prevê a continuidade da aversão ao risco, o que fará com que o fluxo cambial em 2003 seja ruim. "Vai faltar dinheiro e vamos ter de retornar ao FMI", afirma.Pelas projeções dele, o investimento estrangeiro direto será de US$ 8,6 bilhões, contra os US$ 16,7 bilhões previstos para 2002. De acordo com o economista, a situação política da América Latina trabalhará contra o Brasil, independentemente de eventual sucesso do PT, prevendo dificuldades na Venezuela, Colômbia e Argentina. O bom desempenho da balança comercial continuará em 2003, de acordo com as projeções dele. Contra um saldo de US$ 13 bilhões neste ano, Bacha prevê US$ 16,6 bilhões no ano que vem. As exportações somarão US$ 65,3 bilhões e as importações, US$ 48,7 bilhões. Com isso, o déficit em conta corrente cairia de US$ 9,2 bilhões para US$ 4 bilhões em 2003.O economista está particularmente preocupado com a expansão da base monetária neste ano. Houve uma expansão de 30,3% do M1 (moeda em circulação e depósitos à vista) em 2002 (base de doze meses), contra uma expansão de 11,3% no ano anterior. Em contrapartida, no mesmo período, o M4 (conjunto de ativos financeiros) cresceu 6,6% em 2002, contra 17,6% em 2001. "Tívemos uma liquefação dos ativos financeiros", afirma Bacha, apontando uma fuga de capital para ativos reais, como imóveis.Além dos problemas em torno da marcação a mercado (os fundos devem atualizar diariamente o cálculo dos investimentos), a saída dos recursos do mercado financeiro teria sido motivada pelas incertezas em torno da sucessão presidencial. Enquanto a moeda não voltar para M4, há um potencial inflacionário, disse Bacha, que aposta, no entanto, que o M1 vai retrair, expandindo o M4.

Agencia Estado,

29 de novembro de 2002 | 20h26

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