Economista prevê nova alta da Selic

O economista-chefe do Banco Santander, André Loes, prevê que a Selic, a taxa básica de juros, atualmente de 16,25% ao ano, será aumentada em pelo menos meio ponto porcentual até o final do ano para tentar cumprir a meta de inflação estabelecida para 2005. "A meta do ano que vem foi ambiciosa demais", ponderou o economista durante entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News. "Uma vez que o Conselho Monetário Nacional estabeleceu uma meta ambiciosa, eu acho que ele tem que tentar buscá-la e, mais à frente, tentar uma meta um pouco mais folgada para 2006." André Loes alerta que a pressão menor sobre a inflação verificada nos últimos dias está baseada no bom comportamento dos preços dos alimentos, que não deverá permanecer por muito tempo. Segundo ele, após esse período ficarão apenas as pressões de demanda que afetam o IGP-M, sobretudo no setor industrial, e que em algum momento vão se refletir no IPCA. Ele observou que o preço do aço e o dos combustíveis já são responsáveis por 20% do aumento do IGP-M até agora. "São pressões muito fortes e que devem continuar no curto prazo", frisou.Mercado especulativoO economista do Santander advertiu para a dificuldade de se fazer uma previsão dos próximos lances na queda-de-braço entre os produtores e os consumidores de petróleo. "É um mercado regido pela oferta, o que é difícil de prever", sentenciou Loes. Ele lembrou que a oferta está muito concentrada em países que atravessam situações geopolíticas complicadas: "É mais difícil de se prever e, obviamente, o volume de especulação nesse mercado passa a ser muito maior." O economista prevê que o preço do petróleo deverá seguir pressionado nos próximos meses, permanecendo num patamar entre US$ 40 e US$ 50 o barril.Redução do crescimento A conseqüência imediata é que os países mais dependentes de importações do produto - sobretudo Europa e Japão - deverão apresentar mais inflação e um menor crescimento econômico nos próximos meses. "Não acredito que nós vamos repetir o fenômeno da ?estagflação? (inflação associada ao baixo crescimento econômico) dos anos 70", ressalvou André Loes. "Porque, na época, o aumento do petróleo foi significativamente mais alto do que temos hoje e, além disso, os mercados de trabalho eram muito mais regulados e rígidos."

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