Economista prevê queda de 0,5 ponto nos juros do Brasil

A saída de capitais do Brasil no início de março elevou um pouco a atenção dos analistas estrangeiros na economia brasileira. Jerome Booth, estrategista de um dos principais fundos de investimentos britânicos em países emergentes, o Ashmor e Investment Management, que mantém desde o final de 2002 uma avaliação muito positiva para a economia brasileira, afirma em sua nota para clientes que as corporações do país não estão rolando toda a sua dívida externa. Isso, aliado à saída de algum capital especulativo do país causou "uma surpreendente" saída de US$ 730 milhões do país nos dez primeiros dez dias de março. "Diante da forte balança comercial e retomada do crescimento isso deverá ser revertido", disse Booth. "Mas poderemos ver mais volatilidade no futuro." Segundo o economista, embora a perspectiva econômica continue melhorando ? Booth apostas num corte de 50 % na Selic em abril ? o impacto das denúncias de corrupção contra integrantes do governo deverá continuar. "O PMDB ganhou poder efetivo sobre o PT antes das eleições municipais de outubro, o primeiro grande teste do PT nesse mandato presidencial", disse. O analista para mercados emergentes da consultoria CreditSights, Christian Stracke, que ao longo dos últimos meses vem mantendo uma avaliação mais pessimista sobre o Brasil, observa em nota para clientes que as dívidas das empresas não estão sendo rolada s com novas emissões enquanto os brasileiros estão elevando suas transferências para fora do país. "A conta de capital do Brasil enfrentou problemas sérios nas últimas semanas com os fluxos de capitais para o país secando e com os brasileiros elevando suas transferências de fuga de capital para fora do país". Segundo Stracke, a queda das reservas do país tem sido até o momento gerenciável, "mas o Brasil terá que reiniciar novas emissões de bônus num mercado altamente competitivo, para recompor reservas ." O analista observou que as saídas líquidas de dinheiro até o momento não causam maiores problemas, mas ele estima que as reservas internacionais líquidas do país perderam US$ 1 bilhão do seu pico de US$ 25,5 bilhões atingido em meados de fevereiro. "Uma retomada das emissões externas brasileiras poderia facilmente estancar o lento sangramento das reservas, e os juros nos Estados Unidos deverão sustentar o apetite global por risco por enquanto´, disse Stracke. "Mas a nossa estimativa de US$ 23 bilhões e m novas emissões globais para os próximos dois meses deixam pouco espaço para questionáveis negócios brasileiros virem aos mercados. Os investidores terão que ficar atentos aos indicadores do balanço de pagamentos do Brasil nas próximas semanas."

Agencia Estado,

21 Março 2004 | 12h44

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