Economista questiona se BC vai acomodar choque de oferta

O economista Carlos Antonio Rocca, professor da FEA-USP e ex-secretário estadual da Fazenda, no governo Laudo Natel, considera que a pergunta a ser feita sobre a redução dos juros e o comportamento da inflação é saber se o Banco Central vai ou não acomodar o choque de oferta que está acontecendo na economia, como a elevação dos preços das commodities, na variação da meta inflacionária que fixou para este ano. Em entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News, Rocca disse que existem estimativas de analistas de mercado de que se o Banco Central optar por tal acomodação, a meta fixada (5,5%) poderia subir para 6,2% ou 6,3%, "o que não seria exatamente um desastre". Para ele, a lógica do BC em seu conservadorismo na questão dos juros é exatamente para acomodar choques de oferta, que podem elevar temporiamente as taxas de inflação, mas que logo em seguida se dissipam. "O intervalo (na redução) existe exatamente para isso." Crescimento e inflaçãoO economista lembrou que há quem imagine que, com uma política antiinflacionária menos rígida, o País poderia crescer mais. Ele discorda de tal avaliação, acentuando que a inflação gera um grau imenso de incerteza e insegurança, "e certamente não é por aí que nós vamos retomar o crescimento sustentado". Segundo o raciocínio de Rocca, isso não implica que o Banco Central deva perseguir intransigentemente o centro da meta. "Eventualmente, poderíamos até imaginar que existe espaço para a adoção de uma política de juros um pouco menos conservadora."Taxa SelicCarlos Antonio Rocca disse ser altamente provável que, na reunião da semana que vem do Copom, o Banco Central dê continuidade à redução da taxa básica de juros (a Selic), considerando que um corte de 0,25% é uma boa estimativa, já que o choque de oferta começou a perder ímpeto. "Não há nada de muito significativo no horizonte (da inflação) que nos conduzisse a pensar que o Banco Central não reduza a taxa na sua reunião da próxima semana."

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