FOTO GABRIELA BILO / ESTADAO
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Economista Roberto Giannetti da Fonseca pede afastamento da campanha do PSDB em SP

Objetivo é se dedicar à elaboração de sua defesa nas investigações da Operação Zelotes; ele é um dos colaboradores da campanha política do ex-governador Geraldo Alckmin à Presidência

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2018 | 12h37
Atualizado 26 de julho de 2018 | 22h13

Após ser um dos alvos da 10.ª fase da Operação Zelotes, o economista Roberto Giannetti da Fonseca pediu afastamento da campanha do pré-candidato ao governo de São Paulo João Doria (PSDB). A saída de Giannetti foi confirmada em nota divulgada nesta quinta-feira, 26, pela assessoria do ex-prefeito depois que a operação foi deflagrada.

“A coligação Acelera São Paulo informa que o economista Roberto Giannetti da Fonseca, coordenador geral do programa de governo, decidiu se licenciar da função. O objetivo do afastamento é se dedicar à elaboração de sua defesa nas investigações da Operação Zelotes”, diz a nota.

Giannetti também de se afastou do Comitê de Gestão do LIDE, empresa ligada a Doria que organiza eventos com líderes empresariais e setores do governo. Giannetti ocupa o cargo de vice-chairman da empresa.

O economista também colaborava com a campanha do pré-candidato à Presidência do PSDB, o ex-governador Geraldo Alckmin, mas não tinha cargo. “Giannetti não faz parte da nossa campanha, mas sempre participou das equipes e campanhas do PSDB”, disse Alckmin, ontem, Brasília, após o anúncio do Centrão à sua candidatura.

O Estado mostrou nesta quinta-feira, 26, que Giannetti é o idealizador de uma proposta chamada de “Manifesto Compromisso da Força Centro Democrático” elaborada com o objetivo de mostrar que os tucanos propõem um novo modelo de governança.

O documento, escrito por Giannetti, critica a condução da política econômica e a governança das últimas gestões. As propostas começaram a ser discutidas internamente na campanha de Alckmin nas últimas semanas.

A coordenação do tucano não considera o documento como uma peça oficial da campanha. O coordenador econômico do programa de governo, Persio Arida, fez a revisão de alguns pontos da proposta, apurou o Estado.

Perfil

Roberto Giannetti da Fonseca nasceu em Belo Horizonte, em 1950, e graduou-se em economia pela Universidade de São Paulo, no início dos anos 1970. Em 1987, atuou como Assessor do Comitê Negociador da Dívida Externa ao lado do ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, durante o mandato de José Sarney. Ele também foi presidente da Cotia Trading por 11 anos, empresa que já foi referência no comércio exterior e que há dois anos entrou com um pedido de recuperação judicial. 

Em 1992, o economista também atuou como membro do Conselho Consultivo de Financiamento às Exportações junto ao Ministério da Indústria e do Comércio (Mdic), que criou o Proex, Programa de Financiamento a Exportações. 

Mais tarde, já no governo Fernando Henrique Cardoso, ele também foi diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp). Giannetti da Fonseca também é um dos vice-presidentes da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Ele também foi secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex). Atualmente, ele é presidente da consultoria econômica Kaduna, que presta serviço de assessoria em comércio exterior. /COLABORARAM RENAN TRUFFI, CAMILA TURTELLI e VERA ROSA

CONFIRA A ÍNTEGRA DA NOTA

"Kaduna consultoria e Roberto Giannetti da Fonseca declaram que estão abertos a prestar qualquer informação e a colaborar integralmente com a Justiça Federal para elucidação de qualquer fato relacionado a investigação Zelotes. ele reafirma que aqueles que o conhecem sabem que ele se pautou pelos princípios éticos e legais no relacionamento com seus clientes e com as autoridades públicas, sendo totalmente infundadas as suspeitas levantadas contra si e sua empresa."

 

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