Economista Scheinkman otimista com o cenário econômico

O economista José Alexandre Scheinkman, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, considera que os sinais da economia brasileira são bons e existe a possibilidade de um crescimento continuado, mas que seu nível vai depender ainda do que está para ser feito. Em entrevista exclusiva ao programa ?Conta Corrente?, da Globo News, ele lembrou porém que o Banco Central errou na dose de juros, quando tinha possibilidade de baixá-los, especialmente no segundo semestre do ano passado, e que pelos indicadores atuais é possível a adoção de uma política monetária "mais solta", sem afetar a inflação e tampouco o fluxo de capitais externos.Carga tributáriaPara Scheinkman, a carga tributária tem sido o principal fator da ineficiência das empresas brasileiras. Disse que ela não só é muito alta em relação a países do nível de rendimento do Brasil, mas a forma como ela é cobrada é muito ineficiente. "Eu costumo dizer que se alguém tiver que causar o máximo de informalidade na economia, ele copiaria o desenho brasileiro", afirmou. E acrescentou em outro trecho da entrevista: "A informalidade é a nova saúva do Brasil."InflaçãoA inflação não preocupa o professor de Princeton. "O Brasil tem uma boa política monetária, e por causa de sua política fiscal, o controle da inflação hoje está garantido, desde que o Banco Central continue, como tem continuado, com uma política de olhar a meta de inflação e ter um certo controle sobre ela."ExportaçõesSegundo o economista, o processo de aumento das exportações brasileiras não é temporário, embora pudesse ser melhor, se não houvesse gargalos na infraetrutura. Para tanto, acentou que a recuperação da capacidade do governo de investir no setor, seja diretamente ou através das PPPs (parcerias público-privadas) é muito importante. "Nós vamos chegar, talvez, a exportações de 100 bilhões de dólares no ano que vem. Apesar de ser um número expressivo, comparado com o passado, ainda está muito longe do que o País pode exportar."Superávit primárioSobre a possibilidade de o País acertar um acordo com o FMI para uma mudança nos componentes do superávit primário, ele disse que a instituição tem pensado numa forma de separar investimentos de consumo, mas que o mais importante é uma revisão na maneira como as agências internacionais, o FMI e o Banco Mundial em particular, olham para a questão de consumo e investimento.Crescimento do PIBScheinkman disse não gostar de fazer previsões sobre o crescimento da economia brasileira , mas acha que ela tem dado sinais positivos. "A tendência vai ser que a performance seja melhor do que as pessoas estavam esperando, especialmente no começo deste ano."Agências de riscoPara ele, o que tem levado as agências de classificação de risco a olhar ainda com receio para o Brasil é, no fundo, o fato de o país continuar pagando altos spreads para obter empréstimos. "As agências estão atrás, às vezes um pouco na frente, mas (sua avaliação) não é a coisa mais importante. O mais importante é o spread." E explicou que investidores potenciais, como os fundos de pensão e de investimento, não podem comprar papéis que estão abaixo de uma certa classificação. "Neste sentido, as agências influenciam também. Mas é claro que (o conceito dessas agências hoje em dia), depois do que aconteceu com a Enro, não é o melhor do mundo."Taxa do FedSobre os reflexos do aumento dos juros americanos sobre a economia brasileira, ele disse que é preciso saber se a elevação foi conseqüência do aumento da inflação nos Estados Unidos, o que prejudicaria o País. Mas se o aumento veio num momento em que a economia americana está crescendo, isso pode ser bom para o Brasil.

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