Economista sugere ao governo cortar "a própria carne"

Diante da carga tributária excessivamente alta no País, que acaba provocando aumento da informalidade, o economista sênior do banco alemão WestLB, Adauto Lima, aconselha o governo a mudar de tática e passar a cortar a própria carne. "Como está ficando cada vez mais claro, o governo precisa atacar o lado dos gastos", sugeriu Lima em entrevista ao Conta Corrente, da "Globo News". "Nós estamos tirando a capacidade de o setor privado investir, o que limita o nosso crescimento no médio e longo prazos. Ajuste fiscal não é só superávit fiscal, mas é adequar o tamanho do Estado à capacidade de pagamento do setor privado," afirmou. Lima queixou-se de que o governo baseou o aumento do superávit primário exclusivamente no crescimento da carga tributária. E, mais do que isso, o aumento de impostos foi ainda maior do que o incremento do superávit: "Está havendo um superávit primário menor do que poderia ser, dado o aumento de carga tributária que foi feito", ponderou o economista. Ele destacou que o Estado está cada vez maior, mais inchado, e que a população não está tendo retorno na mesma proporção. "Todos os programas sociais têm os seus méritos, mas da maneira como está sendo feito eu acho que você acaba dando com uma mão e, no futuro, tirando com duas." Com relação à promessa do governo de que não deverá ocorrer falta de energia elétrica até 2009, o economista do banco alemão disse que a garantia de abastecimento de energia elétrica feita pelo governo livra o País de um dos gargalos para o seu desenvolvimento. Porém, segundo ele, persistem muitos outros riscos. "Pelo menos, esse risco energético parece que está sendo bem encaminhado e não teremos limitação de fornecimento de energia", salientou Lima. "Mas ainda temos os limites da carga tributária, a política monetária tem de acomodar esse aumento da inflação, o que ainda segura a perspectiva de grandes vôos da economia brasileira." O economista frisou também que a inflação ainda se mostra relativamente resistente à política monetária adotada, o que, provavelmente, deverá obrigar o governo a fazer mais um aumento na taxa básica de juros. "A toada de altas vem surpreendendo desde o último trimestre do ano passado. Na verdade, a inflação está rodando acima de 7%, mas eu tenho a expectativa de que, no segundo semestre, nós veremos números melhores de inflação." Ele prevê que, na próxima reunião do Copom, os juros subam uma vez mais, encerrando o atual ciclo de aumentos. "A partir de abril, haveria uma manutenção, por um período longo, da taxa Selic, para reduzir no final do ano, sem afetar de forma severa o crescimento deste ano."

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