Economista tem proposta para abaixar taxa de juros

A economista Eliana Cardoso, da FGV-SP, considera que uma das maneiras possíveis de reduzir a Selic (taxa básica de juros) seria a eliminação da CPMF para os investidores externos interessados em fazer aplicações no Brasil. Ela explicou que esse investidor hoje paga pelo menos três CPMFs para aplicar e depois receber seu dinheiro de volta. O corte dessa contribuição permitiria uma redução no custo de captação, o que refletiria na queda da Selic em pelo menos 1%. Em entrevista ao Conta Corrente, da Globo News, ela argumentou que o dinheiro perdido pelo governo na arrecadação da CPMF seria compensado pelo pagamento de uma taxa de juros mais baixa sobre a dívida pública. "São medidas desse tipo que devem permitir ao Banco Central trazer, cada vez mais rapidamente, a taxa de juros para níveis mais razoáveis do que aqueles que temos observado nos últimos dez anos." Cálculo do superávitEliana Cardoso, que foi assessora do FMI e do Banco Mundial, não se entusiasmou com a possibilidade aberta pelo FMI de o Brasil deduzir do cálculo do superávit primário os investimentos públicos em obras de infra-estrutura, como no setor elétrico e no saneamento básico. Para ela, a dificuldade maior é que o País ainda não dispõe de uma âncora de confiabilidade. "A única forma pela qual o superávit fiscal permite uma redução da relação dívida-PIB é ter aquela credibilidade para que o governo possa reduzir a taxa Selic, que é a taxa que ele paga sobre os empréstimos que contraiu no passado."Exemplos externosDe acordo com a economista, se for analisado o comportamento do superávit primário, e da dívida em relação ao PIB, nos países que conseguiram efetivamente reduzir essa relação, que era muito grande, como Itália, Grécia e Irlanda, o exemplo brasileiro não é animador. Lembrou que, durante algum tempo, esses países fizeram superávits primários cada vez maiores sem que conseguissem reduzir a relação dívida-PIB. Passaram então a cumprir uma forte austeridade fiscal, o que possibilitou a crebilidade em suas respectivas políticas monetárias. "A dívida só veio a cair no momento em que a taxa de juros real começou a cair", ressaltou. A partir daí, Itália, Grécia e Irlanda passaram a ter "uma âncora de credibilidade", condição para que pudessem se unir à União Européia.O caso da AlcaEla acentuou que, no caso brasileiro, é muito importante saber de onde virá essa "âncora de credibilidade". "Uma vez que não estamos nos unindo aos Estados Unidos, da forma como o México fez para conquistar a sua própria credibilidade, nós temos que procurar essa âncora não só na austeridade fiscal, mas também num discurso coerente do governo, em estruturas institucionais que tenham credibilidade e estabilidade. Mas, antes que a taxa de juros real comece a cair, é muito improvável que nós vejamos uma queda da relação dívida-PIB. Principalmente, porque qualquer aumento do superávit primário, seja aumentando impostos ou cortando gastos, trará um impacto sobre o produto (PIB), da mesma forma que se tem um impacto sobre a dívida. Portanto, só a mudança do superávit primário não muda a relação dívida-PIB."

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