Fred Dufour/AFP
Fred Dufour/AFP

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Economista Thomas Piketty rejeita título do governo francês

Recusa a 'Legião de Honra' cria mal-estar para o governo Hollande

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

01 de janeiro de 2015 | 17h50

GENEBRA - Thomas Piketty, um dos economistas mais badalados do momento, recusa a "Legião de Honra", título máximo dado pelo estado francês. O economista francês que obteve um sucesso internacional com sua obra O Capital no Século XXI e vendeu mais de 1,5 milhão de cópias, foi categórico: "não cabe a um governo decidir que é honrável".  


O anuncio é mais um golpe contra um já combalido presidente François Hollande que, em sua mensagem de ano novo, tentou mostrar em oito minutos aos franceses que há motivos para ser otimista sobre os rumos do país que não consegue reduzir seu desemprego, sua dívida e que vê uma economia estagnada.


Hollande tem batido todos os recordes de baixa popularidade e sua candidatura para um segundo mandato sequer é uma certeza. Em Bruxelas, ele tem sido criticado por não colocar as conta da França em dia, enquanto su próprio partido socialista o acusa de ter traído os princípios do grupo ao dar € 40 bilhões em incentivos fiscais ao setor privado. 


Socialista, como Hollande, Piketty não poupou crítica ao atual governo e negar interesse em receber o título. "Acabou de ser informado que foi proposta à Legião de Honra", declarou o economista. "Recuso essa nominação, pois não acredito que seja o papel de um governo decidir quem é honrável", atacou. "Seria melhor eles (o governo) se dedicarem a relanças o crescimento na França e na Europa", disse.    


O nome do economista apareceu no Diário Oficial de 1 de janeiro, ao lado de outros, como o prêmio Nobel de economia de 2014, Jean Tirole.


Em seu livro, Piketty alerta para a concentração cada vez maior da renda nas mãos de poucos e passou a ser leitura obrigatória entre a elite do poder. O economista Paul Krugman qualificou a obra de "a mais importante do ano e talvez da década". 


Nos EUA, os conselheiros de Barack Obama o receberam para um debate, ainda que na França os socialistas optaram por uma certa distância em relação ao autor. 


Entre as críticas de Piketty a Hollande está o fato de que o presidente enterrou uma de suas bandeiras na campanha eleitoral, de 2012. Naquele momento, Hollande defendia uma reforma fiscal para adotar um sistema progresso de impostos. 


No Brasil, ele mandou seu recado. "A pobreza foi muito reduzida no Brasil", disse em entrevista ao Estado. "E isso foi bom. Mas a desigualdade ainda é extremamente grande. O Brasil continua um país muito desigual, e provavelmente há mais desigualdade no Brasil do que se pode medir pelas estatísticas oficias. Eu devo mencionar que a razão pela qual nós não incluímos o Brasil na nossa base de dados é que, até agora, foi impossível acessar os dados de Imposto de Renda no País. Acredito que o Brasil precisa de mais transparência sobre renda e riqueza. É muito importante que haja acesso mais livre às estatísticas de Imposto de Renda para que se possa entender melhor qual é a diferença social entre os grupos. Isso também pode ajudar a trazer mais confiança no governo", declarou.


Com a recusa, Piketty se soma a uma lista de personagens como Claude Monet, Jean-Paul Sartre, Marie Curie, Albert Camus, Hector Berlioz e Brigitte Bardot que declinaram a honraria criada em 1802 por Napoleão Bonaparte.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.